quinta-feira, 2 de outubro de 2014

EU AINDA QUERO


Já desejei muitíssimo mudar o mundo em tempos de uma juventude de poucos conhecimentos e muito idealismo. 
 Sonhei de olhos abertos e projetei em reflexões escritas e faladas o meu país mais humano e respeitoso em uma época de amadurecimento pessoal, onde pensava já entender um pouco das relações humanas.
Hoje, no outono de minha vida, volto-me para o meu interior na busca de, apenas, um sopro de entusiasmo e só encontro um espaço repleto de questões pendentes, acompanhadas de um profundo desalento por constatar que pouco ou quase nada foi alterado, se forem considerados os retrocessos evidentes ao longo da caminhada.
Eu ainda quero e preciso acreditar que verei mudanças e nesta certeza consciente, não me permito desistir e, ainda com o estandarte erguido, sigo em caminhadas, propagando ideais.
Cansada, meio desiludida, bem mais conhecedora dos meandros racionais que esmagam as emoções que formulam os sentimentos, dentre eles, o do bendito senso de pertencimento que sinto não ter sido estruturado, na formação das mentes que se seguiram à tão dura e longa, ditadura.
Faltam apenas três dias para as eleições e percebo que o meu todo interior de mulher atuante, a cada instante se movimenta e penso então, que por mais fortes que tenham sido as decepções, existe uma resistência pessoal mais poderosa e desejosa em querer acreditar num país mais humano para se viver, num estado conduzido com mais justiça e seriedade.
Peço, portanto, a você que me lê que assim como eu, não desista de seguir acreditando que é possível que um dia, bem lá na frente, tenhamos como prioridade à vida e a sua qualidade, enquanto humana e para tanto, o importante é não deixarmos de investir nas nossas escolhas, mesmo que estejam todas, muito desgastadas em nossas avaliações.
Afinal, quem abre mão de escolher, perde o direito de opinar.
E quem perde o direito de opinar, também deixa de ser um cidadão.

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