sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

DOS OLHOS SEUS...


            O dia está  começando o seu processo de posse em relação à noite, e cá estou eu, novamente a postos em pura observação e ao mesmo tempo esperteza em sugar as seivas de um novo despertar que trás consigo as vibrações de que tanto necessito, a fim de fortalecer mais e mais, os laços afetivos com a vida e com o tudo mais que dela se ressalta.
            Ao longe fico observando o canto dos sabiás, que como se fossem guias, vem trazendo consigo uma infinidade de parceiros que abusadamente em coro, vem adentrando nos jardins com seus sons, muitas vezes em algazarra, acordando os mais sensíveis aos movimentos do universo.
            Não mais que alguns segundos se passam e já posso ver os primeiros rasgos de luz, fazendo-me lembrar de que são como puras sedas esgarçando-se, abrindo espaço ao sol abusado que mesmo fraquinho a estas horas, insiste e abre passagem para através das fendas que se formam nos céus chegar às copas das frondosas mangueiras que circundam o meu jardim.
            Incansável, registro este rito que até pode parecer igual, mas que bem sei por experimento diário ser sempre diferente, inédito, surpreendente.
            Penso, então, que na convivência, assim como no amor, o processo é o mesmo, fazendo confundir o pouco observador, enfadando a grande maioria, levando-os a crerem que tudo é sempre igual, quando na realidade o sempre igual são os hábitos arraigados, infelizmente não treinados a, como o sol, ser prático e criativo, rompendo a seda fina do cotidiano para, então, adicionar a tenacidade do querer experimentar uma nova emoção, tal qual faz o sol incansável na tenacidade de seus amanheceres.

            A você que me lê, uma sexta-feira desbravadora, mas acima de tudo iluminada pela luz e a sensibilidade dos olhos seus.

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