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CHOVE LÁ FORA



Chove lá fora, mas não no meu coração que mais uma vez bate forte sem aparente motivo, mas que somente eu, no reservado de meu íntimo, posso compreender, reproduzindo estas minhas emoções momentâneas em um sorriso maroto, mais condizente com um sol ardente, no entanto, não menos coerente com a alegria de poder usufruir  destes constantes instantes benditos de pura felicidade que, somados, desfilam em minhas lembranças, sem cortes ou adendos, mas todos, absolutamente emocionantes, a ponto de acelerar o coração, umedecer os olhos, arrepiar o corpo nesta manhã de sábado de um outono chuvoso, que me é capaz de  inspirar a desejar a você que me lê neste instante, um dia repleto de emoções, sejam elas quais forem, pois afinal, estamos vivos e isto é tudo quanto basta para que tenhamos a possibilidade de fazer ou refazer qualquer coisa.

Inclusive, perdoar a nós mesmos, por ainda não termos sido capazes de enxergar o sol que arde incansável em nossas possibilidades pessoais, presos que nos mantemos em nossos redutos também pessoais de falsos valores, não abrindo espaço para a nossa intima vontade voluntária que muitos chamam de Deus, mas que eu em minhas buscas existenciais prefiro chamar de vida, por que descobri que este Deus Vida é tangível, se encontrando em qualquer lugar, possível de ser tocado a cada milionésimo de segundo, dependendo tão somente de cada um de nós, na disponibilidade também pessoal de se permitir, arrepiar, chorar e se emocionar com o quase nada, que afinal é o tudo que nos pode interessar.

Pensando nisto, lembro-me de meu saudoso amigo e sogro “Tião Couto”, que de todas as criaturas com quem convivi, certamente foi a que mais me ensinou com sua naturalidade  de ser e de viver, a fórmula bendita de sentir o sol dentro de mim, mesmo que chova lá fora.

Um bom dia.  Seja com sol, seja com chuva.

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