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Mamãe perfeita


Se os filhos soubessem o que as mães realmente pensam, o mundo se acabaria!

Daí, eles jamais conhecerem suas mães, pais e infelizmente a si mesmos, porque, afinal, seus sentidos não podem ser enganados, apenas aprendem a se moldar à censura racional, que determina que o melhor, mais cômodo e fundamental para que o politicamente correto siga inalterado é apenas deixar como está, o que banaliza a relação mães e filhos, induzindo as mães a acreditarem que este papel de perfeita é o certo a ser seguida, assim como induzir aos filhos a esperarem dela por todo o tempo, renúncia, abnegação e santidade.

Este é um ciclo arrogante, prepotente e, portanto, sufocador que anula qualquer autêntico e, então, verdadeiro convívio fraternal, permanecendo, de um lado, uma mãe infeliz, insatisfeita, frustrada e, no mínimo, de saco cheio que, em sua maioria, ou se torna permissiva ou cobradora, sem qualquer conotação de equilíbrio entre as duas extremidades educacionais e, assim, jamais se tornando uma orientadora consciente, pois os laços emocionais são constantemente abalados em sua mais profunda estrutura, justo pela infelicidade estrutural de si própria, o que normalmente coloca a relação em constante choque no período crítico das transformações físicas/emocionais quando seus filhos adentram na adolescência.

Por outro lado, o filho permanece semi-obediente, enquanto o poder físico e o mando emocional o supera, rebelando-se tão logo encontre uma brecha de fraqueza, o que a criança é extremamente sensitiva ou quando adentra em seu período biológico de profundas alterações, onde o bom senso avaliativo quanto ao poder de domínio é absorvido pela própria busca de identificação pessoal.

Neste capítulo, a figura da mãe é realçada na medida em que foi nela que a religião focou a imagem da Virgem, Mãe do Filho de Deus, santificando-a, o que se por um lado fez com que a mulher passasse a ter uma representação sócio religiosa e, portanto, sublimamente colocando-a como uma guardiã da moral e dos bons costumes, exaltando sua grandeza de santa, por outro, condenou-a a uma quase que perpétua submissão a todo e qualquer direito em expressar-se fora dos redutos domésticos, punindo-a severamente se ousasse furar o bloqueio dos conceitos morais, dos quais como guardiã, deveria dedicar-se, preservando e protegendo até mesmo com a morte em favor dos filhos e do lar.

Em momento algum foi pensado, ponderado que a maternidade poderia não resumir as aspirações dos sentidos e mente de uma mulher, o que significa que apesar da aparente consideração de elevar a mulher a um patamar de “mãe do poderoso”, a igreja tão somente fez dela o que sempre fez, um zero à esquerda, algo a ser manipulado sem maiores valores a serem considerados.

Esta é uma dedução feminina, baseada tão somente em algumas leituras recorrentes à mulher em suas atuações psico-social, sócio cultural, político social que induziu a uma conclusão de fácil constatação ainda nos dias atuais, onde a mulher rompeu barreiras, jogou por terra padrões, mas não ainda conseguiu livrar-se dos conceitos de santa ou puta, e tão pouco conseguiu fazer o homem enxergá-la como um ser parceiro de caminhada existencial, repleta de neurônios ativos, de sentidos aguçados e de um todo biológico que de tão perfeito ainda é capaz de gerar, inclusive, um homem.

O que se vê são mulheres disputando por todo o tempo o direito de viverem suas vidas sem ora enlouquecerem frente a tantas responsabilidades que ao se liberarem trouxeram a si, ora mulheres profundamente frustradas por não terem tido o arrojo das liberadas, ora com mais assiduidade, mulheres perdidas em suas identidades emocionais sem saberem exatamente sequer o que esperarem de si mesmas, já que nada parece fazer muito sentido, já que esta condição de santa ou puta, ou a de puta-santa, não lhe permite enxergar-se como um ser absolutamente livre que ora acerta e ora se engana, nesta jornada de vida e liberdade, onde ser feliz e estar bem consigo mesma, deveria ser a meta prioritária.

Todavia, como não consegue entendimento deste ponto da sabedoria universal, acaba copiando as demais, adequando-se às aparências já pré-determinadas e consequentemente se frustra e repassa através de suas vibrações, posturas físicas verbais e transparência emocional às suas filhas e filhos um registro defeituoso de si mesma e do que se buscar no exercício diário de viver.

Portanto, sendo a mulher a exatidão da perfeição humana, fica-se então imaginando o poder desta constelação de luzes universais se ao invés de passarem seus instantes presentes copiando o homem, na tentativa de igualar-se, repetindo padrões já desgastados e em desuso como, por exemplo, querer provar por todo o tempo que é a santa do pedaço familiar e se enxergasse em sua própria grandeza e reproduzisse esta descoberta em atitudes que apenas refletissem a sua autêntica satisfação em estar experimentando a cada segundo bendito de vida, instantes de realização pessoal, certamente, aí, conseguiria trazer para si seus filhos, assim como todo e qualquer ser humano à sua volta, porque tal como a tristeza e a infelicidade, a paz interior, a alegria em estar sentindo a vida e, portanto, a felicidade que dizem não saberem o que é ou que exista, se fará presente como um ímã poderoso, fazendo acontecer verdadeiros milagres no universo de todos nós, e aí, pode-se até dizer que através das santas mulheres grandes e fantásticas transformações ocorrerão.

Por favor, não briguem comigo, pois este é apenas mais um ensaio de entendimentos, onde mergulho fundo na alma humana, querendo apenas compreender um pouco mais.

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