sexta-feira, 11 de setembro de 2026

ARROUBOS DE UMA CONSUMISTA

Revendo a foto da elegante parenta próxima de um certo prefeito, de uma cidade repleta de pessoas carentes cuja maioria, ainda pisa na  lama, deixando-se fotografar com ares de "dona do mundo" (ou pelo menos de um pedacinho de terra que elegeu seu reinado) diante de um belíssimo Mercedes, foi impossível não lembrar de uma certa Regininha deslumbrada.

Com 21 anos, sempre movida pelos arroubos das paixões imediatistas, típica característica das meninas mimadas, ela se encantou com uma Mercedinha prata que se exibia na agência de automóveis do amigo Botelho, lá de Brasília e seguindo o próprio fluxo, manobrou e imediatamente deixou o seu Ford esporte verde com teto de vinil preto, que tempos antes havia lhe fascinado. Como lá assinaturas e dinheiro não me eram cobrados, pois sabiam do lastro existente e de infinitas outras trocas exitosas que e já havia acontecido, saiu toda orgulhosa, tendo no banco do carona a sempre fiel parceira de traquinagens, a adorável amiga irmã(deixa para lá o seu nome), e assim, charlaram a manhã todinha pela cidade. 


Na hora do almoço rumaram para casa, a fim de mostrar ao Roberto a mais nova aquisição...

Rapaz, foi aí que o bicho pegou. Ele quase a matou, numa época em que os homens tinham a seu favor a defesa da honra em qualquer tribunal. 

Ele possesso perguntava: Você enlouqueceu ou não faz a menor ideia do quanto custa a manutenção deste seu novo brinquedinho? 

Olhe bem pra ele bem para ele, pois o devolverei logo após o almoço. 

Bem, como de costume, Regininha argumentou até a exaustão, fez birras estrondosas, chorou, ameaçou deixa-lo, mas nada funcionou.

Pois é, quando não se tem alguém com o bom senso como norteador dos naturais arroubos, quando ainda somos mentalmente adolescentes e imaturos, mesmo que estejamos beirando os 40 anos, criamos a sensação (que se torna uma prática) de que podemos tudo. E aí, quando suscitam as dúvidas quanto à origem dos recursos que bancam as estripulias vaidosas, a coisa um dia pode ficar feia e impossível de ser justificada. 

Afinal, quando a PF e o MP resolvem de verdade rastrear o que se fez no "caminho das índias" públicas, os argumentos, as narrativas e as contabilidades maquiadas se perdem diante da lógica primária da simples pergunta: 

"Foi do céu que, em tão pouco tempo de gestão, os recursos caíram?". 

Deus é assim tão bonzinho em relação aos banqueiros, empreiteiros e políticos? 

Se bem que, por enquanto, em tudo se dá um jeitinho nas esferas fiscalizadoras e punitivas. Mas até quando? 

Roleta-russa, realmente, é brincadeira para os fortes ou alienados...

Regina Carvalho — 11.09.2026 — Pedras Grandes, SC

ATENÇÃO: Qualquer semelhança é pura coincidência.

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