Neste amanhecer ainda encoberto pelo denso nevoeiro, trago o céu iluminado para dentro de mim como de costume. Afinal, de que me serviria o cinzento? Basta-me tê-lo no cotidiano, onde o preconceito dele se vestiu a fim de fazer-me desistir de segurar firme, em minha vida, o sol ardente do verão de minha Ipanema. Fecho os olhos e me vejo estirada no piso escaldante do terraço, acolhendo em mim seus deliciosos fachos de luz, até o ponto de conseguir transformá-los em mil estrelinhas que me cegavam de prazer. Isso me obrigava a fechar os olhos, respirando arfante, abrindo espaço em minha mente para os delírios infantis.
Tão bom que jamais deixei de sentir o bendito sol, mesmo nos dias nublados, transformando o cinzento dos preconceitos que insistiam em nublar minha mente, tentando me cegar de dor.
Bendito sol que me abasteceu de poesia, luz e amor.
Bendito sol que me aceitou mulher pensante, crítica e amante fervorosa.
Bendito sol, companhia fiel que não impediu ao tempo murchar o meu corpo, desde que preservasse a minha alma de criança fascinada.
Regina Carvalho, 10.09.2026, Pedras Grandes, SC.
Ilustração- IA
Nenhum comentário:
Postar um comentário