Pular para o conteúdo principal

DOMINGO DE RAMOS E A FAMÍLIA


Todos que convivem comigo sabem que não frequento nenhuma religião e que quando sou convidada por alguma para palestrar, sempre direciono minhas palavras às reflexões a respeito da vida e do comportamento humano em meio a ela.
Não que eu tenha algo contra, muito pelo contrário, sempre acreditei que as mesmas são margens que norteiam a vida das pessoas, dando a elas direcionamento, amparo espiritual e consolo as suas aflições.
Apenas, enveredei por um caminho que acredito ser mais duro, pois por todo o tempo, encaro meus erros, numa busca permanente de aperfeiçoamento pessoal, tal qual me inspirou o homem Jesus, em sua curta, mas grandiosa caminhada vivencial, onde despiu-se das hipocrisias do convívio social, enveredando-se no entendimento da importância da vida a partir da sua e de tudo que nela reside.
Durante a minha infância e adolescência fui testemunha do respeito que todos ofereciam ao Domingo de Ramos e ainda posso me lembrar das procissões enormes que cruzavam as ruas de Ipanema, onde pessoas, famílias inteiras lá se reuniam num momento participativo de fé e até aqueles que não comungavam do catolicismo, como vários que eram também meus vizinhos, achegavam-se nos portões e janelas, num simbólico apoio.
Hoje é Domingo de Ramos, no Próximo será a Páscoa e tudo que nossas crianças e adolescentes sabem a respeito é que comerão ovos de chocolate.
Conhecer as histórias religiosas e suas tradições significa antes de tudo, “conhecimento”, “aprendizado” hoje, tão escasso em qualquer segmento humano.
E aí, a família como se estrutura se todas as tradições são simplesmente desconsideradas em troca de frases de efeito moral, doutrinária e bajuladora, mas sem a fundamentação necessária a um entendimento mais consistente?
Fatiaram Jesus e seu pai Deus, criando-se infinitas vertentes religiosas, onde a ética e a estética doutrinária se moldaram aos interesses de cada Igreja.

Isso certamente, não é evolução e tão pouco progresso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

REALIDADE- A minha e a sua.

Precisamos dos símbolos para que nossas mentes possam processar imagens e através delas, somos, então, capazes de formar conceitos próprios ou, simplesmente, aderir aos conceitos já estabelecidos.

Penso na realidade de cada coisa e, em como ela é variante, já que cada um de nós é capaz de enxergá-la de forma exclusiva, se bem que de um modo geral, haja um consenso perceptivo e universal.
E aí, o que é real?
A realidade é a que eu conceituo em minha mente ou a que se apresenta na formatação de um senso comum?
Ao buscar na coisa a realidade, já levo na busca a contaminação dos conceitos comuns, desta forma descaracterizando-a de uma realidade pura e simples?
Será que somos absolutamente capazes de, em algum momento, verdadeiramente enxergar, sentir ou ouvir algo de uma coisa ou de alguém sem que haja a adição comprometedora deste senso universal no qual fomos inseridos na gestação embrionária de nossas vidas, através das emoções, alimentação e da genética?
Penso nisso em todas as ocasiões em …