Pular para o conteúdo principal

Lesa- pátria

Pensando bem, eu não deveria dar qualquer opinião, afinal, ninguém pediu, mas aí, eu não seria uma cronista que busca incessantemente, registrar os andares sociais de seus agentes. Portanto, aviso de antemão que estou tão somente, fazendo uma apreciação, sem qualquer intuito de denegrir este ou aquele, talvez, com certeza, seja também uma forma de lamentar a constatação de que, aonde entra o orgulho e o preconceito, qualquer outro sentimento mais elevado, não tem espaço. Perder as óperas produzidas e dirigidas pelo amigo artista, que anualmente, foram oferecidas ao povo de Itaparica, assim como todo um acervo de anos de trabalho sério de levantamento cultural, ao meu ver de cidadã itaparicana e brasileira é um crime contra o patrimônio imaterial público itaparicano. Nenhum gestor precisa abraçar, estreitando em suas relações mais próximas, os talentos que enobrecem a grandeza de uma cidade, pois confiança, espera-se de quem próximo se encontra na lida do dia a dia, mas manter o apoio é fundamental, pois tirá-lo do artista é antes de tudo, tirar do povo que o aplaude. Mas reconheço que o artista errou, na medida em que filiou-se a este ou aquele agente político, seguindo o seu coração, quando sua lealdade, deveria pertencer tão somente, ao seu trabalho, comprometendo assim, a continuidade equilibrada do mesmo. Lembro-me então da estrofe do grande poeta que diz: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! “ Navio Negreiro de Castro Alves

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…
SURREAL, na falta de uma palavra mais adequada para definir o espetáculo das diferenças sistêmicas que se apresentou no Paço municipal de Itaparica, nesta manhã de 15 de janeiro de 2018, quando da posse da nova Secretária de saúde, senhora Estela de Souza. Minhas observações são resultadas de um espanto generalizado de uma representação pra lá de inimaginável em uma terra abandonada pelos poderes públicos e que, como resultado, fez nascer e se desenvolver um povo acanhado, sofrido e marginalizado, incapaz de ter voz ativa associado à sensatez da busca do que acredita ser os seus direitos. Enquanto, uma elite frajola, elegante, cheirosa e desconhecida à cidade e ignorante das reais necessidades da mesma, discursava no salão imperial, aplaudindo a si mesmo, meia dúzia de oposicionistas gritavam palavras de ordem em nome de um povo acovardado que se escondia atrás de muros e janelas, incapazes de ter voz ativa, além do anonimato das esquinas, bares e corredores, numa expressividade indubi…