Pular para o conteúdo principal

MARAVILHAS DO COTIDIANO


E aí, são cinco horas de mais uma manhã de inverno em que acordo sorrindo ao lado de meu Roberto, constatando que estou quentinha com o calor de seu corpo, coladinho ao meu.
Lembro então, ainda com os olhos fechados, que hoje é aniversário de meu filho Luiz Claudio e que “Meu Deus”, ele está completando quarenta anos. Que maravilha eu estar viva para comemorar este momento e aí, bem... Só mesmo sorrindo e me chegando para mais pertinho do meu amor, na busca de mais um aconchego, antes de me levantar para dar início, a mais uma lida de meu cotidiano.
Enquanto, escovo os dentes, novamente penso, diante do revelador espelho, que o tempo andou ligeiro, safadamente apressado, deixando-me neste instante um pouco surpreendida, justo por não me sentir cansada e muito menos assustada ao constatar que meu menino cresceu, e eu, somente perante o tempo, envelheci.
O tempo teve pressa e estabanado como sempre, foi fazendo estrados pelos caminhos de meu corpo, mas não de minha mente, pois mais esperta, refugiei-me nos meus amores, aliciando sem qualquer pudor, meus neurônios e emoções, inspirando-me nos pássaros e nas flores, banhando-me nos mares e nas cachoeiras, num fazer constante amor com a vida.
Nos anos que ainda virão deste “tempo sempre muito apressado”, talvez eu não resista tanto, então, deixo para você, meu filho, meu recado:
-Se o tempo corre apressado, fazendo estragos sem fim, combate-lo é pura bobagem, mas já que temos que acompanhá-lo, que seja em forma de poesia, de beleza e de amor.

Para o meu filho Luiz Cláudio, presente que a vida me ofertou, um beijo enorme desta sua mãe apaixonada, que o tempo, ainda não alcançou. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…