domingo, 21 de julho de 2013

CONTRACOSTA


Meu Deus, olho ao redor e posso ver muitas dores sendo sentidas e o que é ainda mais desesperador é vislumbrar as que ainda chegarão oriundas da total incapacidade do ser humano em perceber o quanto ele é fantástico, pelo simples fato de ser um elemento, capaz de com a sua capacidade em pensar, tornar lógica a sua própria grandeza.
Ontem, apreciando da varanda a beleza do mar da contracosta de Itaparica, na companhia de alegres amigos, por diversos momentos, me vi agradecendo à vida pelo fato de estar viva e usufruindo de tudo aquilo sem que para isso eu tivesse atravessado o mundo, como tantos já fizeram.
E aí, também em alguns momentos, silenciosamente, através desta minha mente inquieta, questionei Deus, querendo entender, qual o critério por ele estabelecido para determinar quais as pessoas que deveriam ter vidas sofridas ou viverem vidas privilegiadas.
Perguntei-o, por exemplo:
- Por que fui agraciada por todo o tempo, enquanto outros, quase nada receberam.
Bem... De repente, melhor teria sido apenas usufruir sem muitas perguntas como faz a maioria, afinal, não seria uma espécie de sentimento de culpa, querer questionar para disfarçar os horrores que são inevitáveis aos olhos e aos sentimentos para aqueles que, como eu, não conseguem ficar neutros às misérias existenciais?
Não seria uma blasfêmia filosófica, falar-se em buscar a própria grandeza humana, justo quando nada se tem além de dores e dificuldades?
Baboseiras de quem de verdade, jamais provou o literalmente não ter e, então, fica discursando palavras de ordem filosóficas, tão somente para camuflar o constrangimento pessoal em não compreender as infames diferenças que norteiam as existências humanas.

Seja lá o que for, sinto-me melhor quando questiono ou quando apenas observo expressando, porque desta forma, divido responsabilidades com Deus, para não ter que admitir pensar que, todo este horror é tão somente produzido pela nossa inconsequência de criaturas humanas, destituídas em sua maioria da bendita humanidade que certamente, recebemos, mas que por vaidade, ganância ou negligência, fazemos tão mau uso.

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