quarta-feira, 15 de maio de 2013

Totalmente afins



Novamente atenta aos comportamentos duvidosos dos políticos de um modo geral e a postura do povo, mesmo nas suas variantes, vejo-me tendenciosa a crer que não há diferenças, que na realidade, excluindo-se uma ínfima parcela cuja base educacional em conjugação com uma base de sustentabilidade familiar, desenvolveu posturas diferenciais, pois para os demais, demais, este modelo já é passado, um modelo invariável das mesmas características de formação e desenvolvimento cognitivo em relação às coisas comuns, empiricamente adequados a um quadro de desenvolvimento pessoal, onde tudo é permitido, desde que devidamente ancorado em um conceito quase primata de sobrevivência.
É comum dizer-se que cada povo tem o governo que merece e sinceramente, após meditação a respeito, associado aos longos anos de vida, leituras e vivências diversas de várias bases culturais, percebo assustada que no frigir dos ovos, como costumeiramente se fala nos jargões de nossa cultura irreverente, esta é uma verdade daquelas que são praticamente indiscutíveis, a não ser se forem analisadas por tecnocratas que sempre encontram em seus planos e projetos, soluções imediatistas que ao longo de nossa história, pelo menos nos últimos trinta a quarenta anos, vem colocando a base educacional brasileira em patamares duvidosos, e pior, altamente danificadores, pois fomentam mentes distorcidas através da mídia e da natural cópia social, a crer em valores frágeis, inconsistentes e altamente corrosivos a um entendimento mais amplo e profundo em relação às condutas que se deva ter nas avaliações e consequentes escolhas do bem e do mal nas relações cotidianas, distorcendo de forma indelével valores de respeito a vida, com prioridade fundamental à sustentabilidade de um desenvolvimento coerente e saudável seja psíquico ou simplesmente físico, ou ambos, que seria a tônica e que determinaria de uma forma mais coerente, uma igualdade respeitosa dentro da capacidade evolutiva de cada criatura envolvida no processo de cada universo social.
Por que estou pensando nisto?
Talvez por que me incomoda ouvir que, “a vida é assim”, que os “políticos são assim” e que, nós, povo brasileiro somos assim mesmo, “um povo alegre, solidário, mas ingênuo” e totalmente afins uns dos outros, inclusive nas canalhices, mesmo que estejamos como vítimas.
Será?
Ou apenas somos um povo com estrutura de formação de DNA tão mesclada a outras variantes e sem receber suporte quanto à criação e preservação de uma identidade particular, isto sem aprofundamentos quanto à influência da escravização, que fomos atravessando os séculos sem estímulos salutares quanto ao aprimoramento do sentido de grupo e de bem comum como características específicas e básicas que, não só garantem a liberdade individual em qualquer aspecto vivencial, como promovem o discernimento nas opções cotidianas?
Ou somos frutos maduros de senzalas e casarios que desenvolveram a capacidade de conviver com o perigo e consequente medo, por simplesmente não termos desenvolvido a capacidade de discernir através de sentidos e mente o que nos convém, como compensação maior e ato contínuo de nos sentirmos existindo?
Complicado para quem não é mestra, doutora e muito menos, tecnocrata, apenas e tão somente, alguém curioso que foi induzida a pensar e que recebeu um certo bendito letramento na idade considerada ideal, ou seja: entre os cinco e  seis anos, quando, então, comecei a usufruir do convívio escolar, coisa que hoje, vem sendo adiada, permitindo assim, criar-se uma lacuna de aprendizado ainda maior, difícil de ser preenchida, entre o existir e o partilhar.

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