Pular para o conteúdo principal

QUE CHEIRINHO BOM...




Ah! Que prazer poder cheirar o aroma do limão e depois estreitá-lo em minhas mãos, alisando-o e novamente cheirando-o, enquanto volto do terreiro à cozinha, onde um belo pedaço de pernil repousa no aguardo do tempero.

Adoro cozinhar e adoro saborear o que cozinho, fazendo deste momento apaixonante, a minha magia pessoal que, egoisticamente, desempenho a cada dia, sem permitir dividir meu território, que tenho como sagrado, no templo de minha casa.

Hum!!!!!! Que cheirinho bom!...

E nesse trajeto entre o limoeiro e a cozinha, lembro-me da minha infância e das delícias que apreciei serem feitas pelas minhas avós e pela minha mãe, sempre dispostas com seus aventais branquinhos e seus cantarolares que me faziam crer que o que produziam era sempre muito especial, mesmo que fosse um suculento bife com batatas fritas, que igual ao delas, jamais voltei a degustar.

Estou neste instante aguando e sorrindo ao mesmo tempo e, é claro, olhando pro céu, como se assim pudesse de repente enxergá-las por entre os raios brilhantes deste sol encantado de Itaparica ou, quem sabe, tão somente plasmar como um quadro perfeito e inestimável, num instantâneo divino de minhas queridas recordações.

Feliz, penso então, que sou e, mais que isso, sempre fui, por ter como neste instante, um cheiro, um sentir mágico de infância para recordar, neste outono de minha vida, que mais parece primavera e que, amorosamente, dou-o a você que pacientemente me lê.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…