sexta-feira, 13 de julho de 2012

Refletindo...



Nesses tantos anos de escritas, já discorri sobre todas as emoções que fui capaz de detectar primeiro em mim, depois nas outras pessoas, e preciso reconhecer que por mais que eu pesquise, mergulhe em mim  mesma ou me debruce diante das evidências comportamentais que se apresentam  diante das minhas sempre atentas observações, pouco ainda posso dizer que sei deste universo tão diversificado e rico em disfarces e camuflagens que é o ser humano com suas emoções na convivência com o tudo mais que o cerca.

Nós criaturas humanas em relação a nós mesmos somos ainda mais confusos, pois transformamos a relação razão e emoção em uma relação sempre   impiedosa, camuflada  através de posturas auto indutivas e justificáveis quanto à necessidade de sobrevivência, seja emocional ou racional, fechando assim um ciclo de pseudo  proteção, que na realidade somente promove um constante duelo  intimo que ao ultrapassar nossos limites de tolerância, deixamos extrapolar aos demais, na realidade, buscando inconscientemente alívio para o nosso inferno pessoal.

Falando assim, até parece que sou catastrófica em minhas conclusões e desiludida quanto aos entendimentos alcançados neste passo a passo de buscas dos conhecimentos que matreiros se escondem , provocando dúvidas, confusão e até medo nas posturas possíveis de serem reconhecidas no trato diário com os demais e comigo mesma, nesta caminhada de vida.

Nada disso, apenas humildemente reconheço que nada sei, pois a cada instante sou surpreendida com um novo aspecto que se apresenta principalmente em mim e, é claro, naqueles com os quais tenho o privilégio de conviver por um período maior.

Naturalmente a bagagem de subsídios captados e arduamente dissecados é fabulosa e me confere certo entendimento, entretanto, este mesmo manancial é que me faz consciente de meu pífio ainda conhecimento a respeito desta infindável capacidade neurônica e sensitiva.

Esta tarefa, na qual me propus ainda muito jovem, garantiu-me ao longo da vida, buscar e encontrar minhas próprias portas internas e obrigou-me a abri-las uma a uma, rasgando muitas vezes minhas fictícias, mas rígidas, membranas emocionais que endurecidas pela rigidez do medo de se verem expostas, reagiam, causando muita dor, muita ansiedade, imensos momentos de profunda solidão, onde só a minha tenacidade em conhecer um pouco mais de mim, permitia-me tamanha determinação.

Penso, então, que apesar de tantos mergulhos e de tantas imersões, ainda pouco creio saber, restando-me apenas a certeza que tudo quanto pude extirpar até o momento deste conflito do qual eu e você fugimos por todo o tempo com nossas camuflagens constantes, estas ,foram jogadas para fora de meu armário de pessoa humana e que nos espaços, então vagos, houve mais parcimônia na permissão à qualquer outra ocupação.

Fiz e faço desta labuta de todos os momentos, um tirar de pesos desnecessários que, afinal, turvam o brilho de meus instantes de vida.

Neste empenho pessoal, fui aprendendo a me respeitar e, assim, desafogando a minha morada existencial que é tão somente a somatória de um corpo, uma mente e de um todo sensitivo, mas por todo tempo, muito observadora, pois por reconhecer que ainda nada sei, sei que sou capaz de me permitir retroceder, caso não permaneça atenta, pois as armadilhas sempre serão produzidas, por este mesmo potencial que a vida me confere, podendo, certamente, vir a me ferir, confundindo-me, enganando-me e, aí sim, tirando-me o prazer de viver com lucidez a vida com tudo que com ela respira, impedindo-me de senti-la tal como ela é, absolutamente linda.




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