sexta-feira, 4 de maio de 2012

QUEM PENSA, CHATEIA...

Pois é... Então, novamente aparentemente só nesta madrugada de sexta-feira , penso no incômodo que causo a algumas pessoas com a minha insistência em pensar e, consequentemente, questionar.
Sou homenageada, apreciada, elogiada, até que, por alguma razão, questiono algo que tenha relação com a pessoa que me dirige os salamaleques.
E aí,penso então, que seja da natureza humana não desejar ter que explicar tudo quanto crê serem as suas verdades.
O problema é que tudo passou a ser verdade absoluta, e isto deveria ser preocupante, já que a falta de discernimento nas opções tornou-se figurinha fácil.
O que quero dizer é que venho percebendo, e não é de hoje, que paulatinamente as pessoas deixaram ir caindo, cada vez mais rápido, qualquer senso de reconhecimento amigável da troca de experiências pessoais, para de forma sistemática adentrarem em outro tipo de absorção vivencial, onde os conceitos globalizados suplantam a observância da proximidade, que afinal reflete maior realidade e consequente adaptação sem que haja maiores confrontos  entre a realidade presente no espaço em que se encontra inserido com a participação em um contexto progressivo do todo sistêmico humano.
E aí, posso entender melhor o porquê de valores que precisavam tão somente irem se atualizando aos novos tempos de muita tecnologia e ciência, e que foram, e são, sistematicamente anulados, como se o até então vivido estivesse totalmente errado.
E aí, leis idiotas, falsas verdades, disfarces infelizes que somente camuflam discriminações latentes, posturas primárias de puxa-saquismos explícitos, intolerância quanto ao pensar alheio, mentiras descaradas com vestimentas de boas intenções, ações coloridas e de efeito de impacto, substituindo a consciência da importância da solidez estrutural, seja lá do que for, e por aí sou capaz de ir enumerando até o dia amanhecer e ainda certamente  estaria deixando de ressaltar inúmeros desvios possíveis de serem pontuados e que se tornaram substitutos das bases de formação e estruturação de caráteres menos alienados e mais voltados ao seu universo pessoal.
Ao mesmo tempo em que fui observando uma globalização emocional a partir efetivamente do final dos anos sessenta, pude também constatar uma tendência ao fracionamento intelectual, criando-se com este modernismo acadêmico, uma legião de especialistas em tudo e nenhum conhecedor geral de nada, como se o entendimento do todo das coisas não fosse de absoluta necessidade para um maior desenvolvimento perceptivo da coisa em si.
E aí, fica difícil, na maioria das vezes, fazer-se entender em nossas mensagens e trocas de experiências, porque a limitação em todos os níveis se encontra presente, vestida da arrogância de um mestrado ou doutorado nisto ou naquilo, mas sem qualquer resquício da necessidade prioritária de se colocar atento à outras visões sobre o mesmo foco que se encontra em discussão, garantindo assim um leque maior de conhecimentos, como faziam os pensadores do passado que, ao defenderem seus conceitos e  métodos aplicativos de qualquer natureza, abriam espaço às mentes alheias, a fim de agregarem nas suas, a grandeza de saber ouvir e discernir e finalmente aprender mais e mais.
O que estou verdadeiramente lamentando é a falta absurda que sinto do estímulo ao raciocínio participativo, remetendo-me ao prazer que pude testemunhar em inúmeras criaturas com quem convivi que na grandeza de seus intelectos, abriram espaço a jovens como eu, permitindo-me assim, adentrar no fabuloso mundo do querer descobrir, desejar ouvir, querer aprender.
Apavoro-me com a ignorância existencial que constato em todos os níveis, assim como a desconsideração ao querer aprender.
Afinal, as pessoas não estão sequer querendo saber a que vieram para este mundo, que dizem ser de “MEU DEUS”, aliás, sequer pensam de verdade no que consiste este Deus que não seja o já tradicional, “PAI DE TODOS NÓS”, criador do céu e da terra, guardião dos fracos e oprimidos, consolador dos sofredores, olheiro dos transgressores, detentor da vida eterna.
E aí, com este refrão decorado, se tornam símbolos da verdade e da justiça, justificando assim suas omissões e sua cega obediência a um sistema que só lhe oferece o superficial, o tangível, o medíocre.
Ora, penso eu, se já estávamos em um processo de deterioração das culturas tradicionais e do estreitamento intelectual, a adição de conceitos religiosos fundamentalistas e, portanto, arcaicos em sua maioria, só poderia dar no que vem dando, ou seja: um aumento gigantesco da banalização não só da vida em si, como a marginalização da convivência, esteja ela onde estiver, induzindo então as criaturas a adotarem posturas violentas ou desconsiderativas, polos distintos que não dão espaço ao bendito equilíbrio, mel que perfumou a minha e a juventude de muitos outros que lutam com as armas da mente e do respeito ao próximo para que através das trocas de experiências e saberes, possam globalizar humanisticamente os seus universos pessoais.
E aí, quem pensa chateia, incomoda e dá trabalho.

   


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