Pular para o conteúdo principal

PENSANDO...


Nada se equivale mais que um mal-estar profundo para nos remeter à conscientização da inutilidade de nossos palpites em relação a algumas situações do mundo vivencial.
De repente, tudo perde o sentido, tudo se torna uma repetição cansativa, inútil, e a nossa imagem conclusiva que nos caracteriza se funde a um emaranhado de conclusões alheias, sem que seja possível vislumbrar uma luz no fim do túnel, e a isto, chamo de prioridade, afinal, sem hipocrisias, é preciso que reconheçamos que somos mais importantes que qualquer ato heroico ou desavergonhado que qualquer criatura humana seja capaz de produzir em seu campo pessoal de atuação.
E como tudo que fazemos, pensamos e dizemos, inexoravelmente a política está inserida, mesmo que sequer saibamos a sua definição; concluo que, não sem dor na alma que se reflete no físico, o que nos representa no cenário, seja político, jurídico ou empresarial, é tão somente nossa imagem e semelhança.
Somos um povo sem entranhas de pertencimento, repleto de paixões passageiras, incapaz de planejar futuro, resguardar passado, preferindo adaptar-se ao presente.
Em dado momento da história da construção política de nosso país perdeu-se o fio da meada, e com ela, todos os parâmetros reais que pudessem representar um norte que fosse no mínimo coerente e decente a um bem comum, e como uma construção feita de puxadinhos, jamais conseguimos imprimir uma arquitetura que tivesse personalidade definida, ficando tão somente seus observadores como críticos alienados, palpiteiros sem compromisso com uma fundação pra lá de improvisada.
Não há visão de todo, e nessa confusão arquitetônica emitimos os nossos pareceres a respeito deste ou daquele construtor, crendo que, como salvadores, garantirão nossas parcas acomodações, a despeito de suas qualificações.
Somos um povo medíocre em nossas aspirações, ingratos frente as riquezas que possuímos como herança, e totalmente incapazes quanto ao reconhecimento de nossa própria ignorância em crer que somos espertos e que esta esperteza é um reflexo de nossa inteligência.
Ledo engano que as sucessivas decepções nada nos ensinaram. Falta-nos o devido comprometimento com a nosso próprio bem-estar, no reconhecimento do que sejam direitos e deveres em cada universo pessoal que estejamos crendo infantil ou idiotizadamente que nada é de nossa direta responsabilidade, permanecendo cada um de nós como sujeito crítico sem qualquer lógica que faça sentido, numa demonstração primária de nossa total falta de educação espacial.
Deixamos inconsequentemente o nosso barco à deriva ao ponto de nesse momento crucial em que estamos a um quase inevitável naufrágio, desesperados, e sem mesmo entendermos os porquês, buscamos soluções de salvamento incompreensíveis aos olhos do bom senso, resgatando como boias de salvação velhos marinheiros, tão ineptos e imediatistas quanto nós, forçando assim uma volta aos velhos hábitos de uma inútil vida de apenas aparência.
Mas que sou eu...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…