Pular para o conteúdo principal

Não sei bem ...


Hoje, ao contrário da maioria de meus dias, estou escrevendo à noite ao som do farfalhar dos coqueiros, nesta noite fria de final de julho, pois no mais o silêncio é absoluto.
Sei bem porque quero escrever, mas o bom senso e a prudência me faz escolher as palavras e isto não é nada bom, pelo menos para mim que procuro sempre expressar meus sentimentos num bailado livre como as folhas dos coqueiros acompanhando o ritmo dos ventos marinhos.
Tiro as mãos do teclado do computador e seguro com ambas a minha cabeça, num autoconsolo, quase que sentindo pena desta pobre culpada escrevinhadora que vê sua ânsia em dedilhar suas impressões sobre tantas coisas, mas se sente tolhida,” ilhada, morta e amordaçada”, tal qual afirma uma certa música de Raimundo Fagner.
Sei bem que quero escrever e não sei bem porque me calo, já que sinto existir em mim um misto de dor e desesperança, uma vontade louca de sair gritando ao mundo, minhas palavras de protesto, revolta natural de um alguém já no caminho do fim, sem ter qualquer esperança de pelo menos enxergar, um facho sequer de luz no fim de um túnel, chamado sistema.
Os atores e os cenários mudam, mas o roteiro, no entanto, é sempre o mesmo, repleto de falas falaciosas e de emoções encomendadas e eu, plateia patética, vez por outra aplaudo, num mecanismo demente.

Não sei bem de mais nada, só sei que cansei.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…