Pular para o conteúdo principal

PELA MADRUGADA


São duas horas da manhã, acordei sentindo-me abusada, invadida e absolutamente desanimada com a desfaçatez e o abuso possível de ser constatado na política brasileira e ao mesmo tempo, reconhecendo o quanto esta postura desonesta, sem ética ou estética de convivência, vem sendo copiada pela população de qualquer local deste país como se adequada fosse, por esta ou por aquela razão.
E aí, penso que estou errada, pois não está havendo cópia, tão somente, cada qual em seu patamar na pirâmide social, decidiu revelar o seu individual caráter, assumindo a total falta de noção espacial de cidadão e trazendo para si, em detrimento do conjunto social, apenas a sua verdade que, naturalmente, são seus únicos e poderosos interesses, transformando distritos e cidades em verdadeiras savanas, onde o mais astuto se apropria e devora.
A inversão de valores que venho percebendo nas últimas décadas, na realidade é a visão destorcida de liberdade de direitos, com total falta de empatia com as obrigações que imprimem qualquer realidade libertadora, transformando cada possível cidadão, numa criatura individual vivendo e convivendo com escolhas egocêntricas e distanciadas no seu âmago do entendimento de grupo social.
Concluo, que o sistema político brasileiro em todas as esferas, nada mais é que o reflexo claro e nítido de cada um de nós que infelizmente, mesmo depois de mais de 500 anos do descobrimento e ocupação deste solo bendito, não conseguiu depurar o sentimento corrupto de invasor, hipocritamente travestido de desbravador.
Sentimo-nos com direitos às avessas e moldamos assim, nossas obrigações, fazendo do país uma pantomina, cujos atores sequer se revezam nas cenas esdrúxulas, transformando cada cidade brasileira num palco de loucuras a céu aberto, com scripts improvisados, sem critérios ou roteiros com lógica de bem comum, tão necessários a um claro entendimento.
Confesso-me ridícula ao tecer considerações, expondo-me com esta clareza de entendimentos que, afinal, são meus e que em nada, compreendo, ajudará na melhoria das relações de qualquer natureza, porque também eu, prefiro manter-me na segurança do espaço que construí para mim, resguardando-me para não ter que numa demonstração também clara e nítida do quanto fui contaminada pelo individualismo do animal selvagem, vir a agir como tal, matando ou morrendo.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2018

Estive, como sempre, presente na Câmara Municipal de Itaparica por ocasião da prestação de contas que, diga-se de imediato, foi didaticamente explicada ao público presente, que se resumia em sua maioria a funcionários da própria prefeitura e assessores diretos da gestão. No entanto, todo o evento foi transmitido ao vivo pela sua Rádio Tupinambá FM. Acompanhei os itens apresentados com a mente aberta ao entendimento, mas reconhecendo as minhas limitações contábeis, deixando-me ao direito de apenas buscar dados que explicassem os gastos em relação à arrecadação que, na avaliação de pessoa comum do povo, pareceram-me elevados ao pensar na precariedade em que a cidade vem vivenciando o seu cotidiano. Em vista desta premissa, fui registrando algumas perguntas que as explicações da especialista em finanças, assim como a Controladora do município, não foram capazes de esclarecer, até porque, não cabia a nenhuma delas tecer considerações sobre as decisões da gestora em relação ao destino das ve…