sábado, 22 de julho de 2017

O POVO PODE ESPERAR...

Hoje, mais do que em qualquer outro dia, acordei muito aborrecida com tudo que venho constatando de precário em nossa cidade, mesmo reconhecendo que não se trata de problemas atuais, mas constantes, pelo sistemático abandono das autoridades, por não considerarem prioridades algumas básicas necessidades dos cidadãos, nas décadas que se sucederam.
Elegemos a cada quatro anos nossos representantes políticos e pouco ou quase nada tem nos sido oferecido em contra- partida, ficando para nós (povo), a sensação de estarmos na condição permanente de pedintes.
As raras obras relevantes, quando são realizadas, nos são entregues como se fossem favores de um mandatário magnânimo e não como uma obrigação elementar das atribuições de vereadores e prefeitos, deputados e senadores que aqui receberam seus votos e que fizeram e fazem de seus cargos, tão somente, trampolins sociais e políticos na escala ascendente de suas vidas pessoais.
Quando das disputas eleitorais, palavras são usadas falaciosamente com o intuito de ganharem nossas confianças, amparadas nas mazelas com as quais vivemos e como tolos esperançosos nos deixamos convencer para mais adiante, percebermos que mais uma vez, o logro nos atingiu como raio muitas vezes, fulminante.
Até quando, permaneceremos como manobrados?
Até quando adiaremos para os quatro anos seguintes, as conquistas dos direitos de nossas necessidades básicas?
Até quando, permaneceremos pisando em lamas, convivendo com o lixo e as doenças advindas deles e da falta de todo e qualquer mínimo saneamento público?
Até quando nos curvaremos a políticos que elegemos e que só pensam na melhoria de suas próprias vidas de seus familiares e asseclas, recebendo cargos, salários e uma infinidade de benécias não condizentes com a realidade arrecadatória da cidade e muito menos com a de cada cidadão?
Até quando, fingiremos que vivemos num paraíso, cercado de abandono por todos os lados?
Até quando, teremos que esperar para termos a dignidade vivencial e sistêmica pelas quais pagamos?
Até quando, assistiremos lamentando pelas esquinas e redes sociais o pouco que funciona em Itaparica, sempre a meia boca?
Até quando assistiremos impassíveis o enriquecimento ou expressiva melhoria de vida de nossos vizinhos e colegas de escola que elegemos políticos, ganhando aqui os recursos e gastando à revelia em outras cidades, pois chegam à conclusão que aqui é caipira para eles, deixando-nos com os seus legados de miséria, doenças, sujeira e deseducação?
Até quando, nos curvaremos como mendigos de um sistema social e político viciado e falido que nos flagela, sugando nossos ideais em prol de uma casta egocêntrica que defende ardorosamente seus próprios ideais em detrimento dos direitos mínimos de cada um de nós?
Inconstitucional deveria ser a manutenção de um povo na ignorância de seus mais primários direitos.
Inconstitucional é não se ter competência pública, além dos já manjados discursos, que permitem a continuidade da vergonhosa afronta dos direitos de cada cidadão.
Inconstitucional é manipular a única constituição nacional ao bel prazer dos interesses particulares em detrimento dos direitos que deveriam ser invioláveis do povo, mantendo uma educação sempre em evolução afim de que este mesmo povo pudesse ter discernimento mínimo entre o joio e o trigo ao invés de permanecerem reféns da fé que os consola e de políticos que os engana.
Inconstitucional é priorizar “coisas” para o desfrute de poucos, com a desculpa de melhorias futuras para o povo, deixando no aqui e agora que se tornou até então, para sempre, este mesmo povo numa interminável espera de dias melhores.

“OH! Deus dos desgraçados, dizei-me se é mentira ou se é verdade, tanto horror perante os céus”...Castro Alves

Quanto mais como cidadão, terei eu que esperar?
Regina Carvalho.



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