Pular para o conteúdo principal

JESUS - PAI AMOROSO


Se olharmos para o tempo chuvoso (pelo menos em Itaparica), na tentativa de associá-lo ao humor divino, diria sem dúvidas que Jesus, no dia comemorativo de sua ressurreição, não está nada satisfeito com o nosso desempenho de criatura humana que, a princípio, por ser abastecida com razão e lógica, emoções e sentimentos, deveria ser bem mais adequada a sua perfeição, se comparada às demais criaturas, bem menos agressiva, bem mais inteligente em seus reconhecimentos pessoais, bem menos oportunista.
Certamente, se formos por esta linha de pensamento, constataremos que a decepção de Jesus deve ser enorme, e que somente sua capacidade amorosa é capaz de frear seus poderosos impulsos em voltar à terra imediatamente, e nos dar um corretivo severo por sermos tão assustadoramente ingratos, rudes, ambiciosos e sem qualquer noção maior de reconhecimento de todas as nossas potencialidades que, generosamente, nos foram ofertadas pelo seu pai e por ele confirmado há dois mil anos, através de um calvário pessoal.
Ao invés de castigo, este pai amoroso deixa rolar chuvas pesadas de lágrimas, trovões de dor, relâmpagos de esperança de que suas faíscas de luzes nos façam acordar desta inércia existencial que abrevia a nossa vida e faz doer o tudo o mais.
Penso, então, que pelo menos no dia de hoje, sejamos capazes de frear a nossa vaidade, nosso medo e nossas frustrações, fazendo de nossa capacidade amorosa, que existe e precisa ser despertada, um bálsamo para nós mesmos, dando passagem à nossa criatividade espiritual para que consigamos ser bem maiores que o sistema que nos vicia, nos sufoca e nos corrompe.
Um pai amoroso, sempre compreende e abre os braços para o acolhimento, fazendo o sol de seu sorriso, surgir após a chuva e, carinhosamente, nos aquecer.
Bendito sol que brilha lá fora.
Bendita vida que nos permite mudanças.

Um beijo doce no coração de meus amigos e um domingo de Páscoa recheado de paz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…
SURREAL, na falta de uma palavra mais adequada para definir o espetáculo das diferenças sistêmicas que se apresentou no Paço municipal de Itaparica, nesta manhã de 15 de janeiro de 2018, quando da posse da nova Secretária de saúde, senhora Estela de Souza. Minhas observações são resultadas de um espanto generalizado de uma representação pra lá de inimaginável em uma terra abandonada pelos poderes públicos e que, como resultado, fez nascer e se desenvolver um povo acanhado, sofrido e marginalizado, incapaz de ter voz ativa associado à sensatez da busca do que acredita ser os seus direitos. Enquanto, uma elite frajola, elegante, cheirosa e desconhecida à cidade e ignorante das reais necessidades da mesma, discursava no salão imperial, aplaudindo a si mesmo, meia dúzia de oposicionistas gritavam palavras de ordem em nome de um povo acovardado que se escondia atrás de muros e janelas, incapazes de ter voz ativa, além do anonimato das esquinas, bares e corredores, numa expressividade indubi…