Pular para o conteúdo principal

DOCES LEMBRANÇAS


O campo era verde e da espreguiçadeira da varanda, era possível enxergar o pombal, as muitas árvores que escondiam o riacho que eu amava e que acolhia os meus sonhos de garota de 10/ 11 anos que por lá permanecia entre as samambaias gigantes, os respingos gelados da cachoeira e dos seixos rolados através das quais as piabas bailavam, desenhando em minha imaginação, a inquietude de uma naturalista, ainda inconsciente.
Guapi era o meu mundo encantado, meu conto de fadas que eu mesma escrevia entre arbustos, flores e o cheirinho de terra molhada que transformei em perfume.
Em Guapi, tudo era mais bonito, mais rico e mais completo, não havendo qualquer dúvida de que foi o abrigo mais seguro de minha alma infantil.
Quando a chuva caía e isto quase sempre acontecia nos fascinantes verões, os aromas se intensificavam e a dança das goteiras por sobre os Cipós- Imbé, simplesmente me hipnotizavam e então, eu me via fechando vez por hora os meus olhos, tão somente para apenas sentir a minha Guapi querida, todinha dentro de mim.
Optei em transformar as flores em bonecas e meu riacho e meus peixinhos em meus companheiros inseparáveis, levando-os comigo para qualquer lugar, podendo ainda hoje, enquanto escrevo, sentir todo o frescor de minha Guapi, mesmo que ainda que maltratada, irradia os seus encantos.
Guapi dos pássaros cantadores e dos infinitos aromas.
Guapi das águas cristalinas e de um tempo que nunca se foi.
Lembranças inesquecíveis que se fundiram em mim, tornando-me um ser humano mais feliz.
Lembranças de minha Guapi e de minha adorável tia Hilda, ambas esculpidas em forma de vida, que as doces lembranças eternizam.
Guapimirim, meu pedacinho de céu.
Regina Carvalho
Itaparica-Bahia-04/2015
Itaparica-Bahia-04/2015


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…