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MERGULHO PESSOAL

Seria impossível passar tantas décadas buscando entendimento a respeito da imensa dificuldade do homem em se relacionar com os seus semelhantes e com o tudo mais no qual está inserido, sem que, primeiro a busca não começasse através de um profundo mergulho pessoal, porque, afinal, de teoria, a humanidade já está saturada.

Partindo desta premissa passei a não desconsiderar aqueles vícios posturais que faziam parte da minha apresentação pessoal ao externo, percebendo que as mesmas eram como uma segunda pele que compunha o meu jeito de ser.

Confesso que gostei de muitas das minhas performances, mas também, me senti horrorizada com algumas outras, percebendo que eram exatamente iguais  a tantas outras que eu mesma criticava nas outras pessoas, só se diferenciando pelo meu toque de personalidade, tal qual artistas ao interpretarem o mesmo papel.

E aí, passei a questionar a validade de meus conceitos em relação a tudo que se apresentava diante de mim. Uma Loucura!

Entretanto, eu precisava agüentar o tranco, pois loucura maior era dar-me ao direito de adentrar no que eu passei a chamar de ALMA HUMANA, correndo o risco permanente de extrapolar, crendo-me acima do bem e do mal, julgando, questionando e rotulando, de forma individual ou colocando determinadas posturas aparentemente repetitivas dentro de um enquadramento rotulado, desconsiderando as formas diferenciadas em que, cada criatura absorve e processa todo o volume de informações que recebe a partir do ventre de sua mãe.

Em se tratando de gente, cada caso é um caso, podendo-se tão somente fazer das informações descritas pela mesma, ou dos atos observatórios, um traçado inicial de direcionamento não havendo espaço para generalizações, quando muito de semelhança sistêmica e patológica.

Portanto, se somos únicos em nossa unidade de criaturas humanas, nada pode ser igualitário em nossa apresentação física, mental e emocional, perante o sistema e conseqüente relação com os demais, seja humano ou não.

Diante desta conscientização, passei a enxergar cada criatura com a  qual eu convivia como um ser muito especial, capaz de me surpreender a qualquer instante, jamais crendo ser possível, prever sua postura seguinte, baseada na minha já vasta experiência de convívio.

Ela sempre poderia me surpreender e para tanto eu precisaria estar absolutamente disposta a aceitá-la ou não, em sua forma de ser, de sentir e, reagir. Em momento algum, desconsiderei a invasiva psíquica com o qual, o sistema invade possibilitando as alterações humanas, no entanto, fixei minha atenção na essência dela mesma que ao longo destes quase quarenta anos de estudos in loco, levaram-me a crer, ser a base, a estrutura que permanece inalterada, mesmo quando sufocada pela força indescritível que a convivência sistêmica  é capaz de atuar, desfigurando o obvio observado nas criaturas,criando uma pele extra que parece que é de origem, mas que pode ser tão somente uma vestimenta com a qual a criatura em determinado momento vestiu e foi se habituando em tê-la sobre si, muitas vezes apenas com o objetivo de proteção extra.

Portanto, pense nisto, antes de julgar alguém pelo que inicialmente ela se apresentou a você ou a sociedade de um modo geral. Vale sempre a pena investir-se num melhor conhecimento daquele que está ao seu lado, não importando se no trabalho, em casa ou no vizinho. Você pode vir a ter muitas surpresas agradáveis, assim como, revelações desagradáveis que certamente por terem sido observadas com critério e respeito, evitarão dores e aborrecimentos futuros.

Investir na qualidade dos relacionamentos é fundamental para que tenhamos melhores instantes de vida e para que corrijamos nossas próprias distorções. Afinal, gostamos de nos considerar perfeitos e sempre absolutamente certos em nossas ponderações e isto é ilusão, cegueira e arrogância.

 Quer postura mais primária que esta?




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