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BRIGA ENTRE VIZINHOS

E aí, fazendo o que mais gosto que é justo pensar a respeito do que observo à minha volta, centro-me, então, nos acontecimentos desagradáveis ocorridos no último sábado, dia 28/04, no centro de Itaparica, entre membros do grupo político da srtª Marlylda Barbuda e de alguns correligionários do atual prefeito, Sr. Raimundo da Hora, o que se incluía, policial militar, polícia civil, vereador e funcionários da Prefeitura, levando-me a, então, ponderar comigo mesma que a próxima eleição, em outubro, será diferente em tudo por tudo das eleições de 2004 e 2008, fazendo nascer em minha testa uma ruga de preocupação, reação física que expressa a conscientização imediata de que, verdadeiramente, retrocedemos anos luz no processo democrático itaparicano, não importando os discursos elaborados e os pseudos polimentos que possam ter sido inseridos nas posturas dos candidatos a cargos públicos e seus seguidores, afinal, como gostam de afirmar por todo o tempo, na tentativa de nos fazer crer que são os donos da cidade e do seu destino:

- GENTE DE FORA NÃO PODE APITAR.

Penso, portanto, no quanto é desastrosa e limitante a falta de recursos argumentativos, pois levam as pessoas a repetir refrões ultrapassados, sem sentido e lógica em um mundo que vem mudando e não é enxergado, única e exclusivamente, porque os poucos letrados e, assim, mais antenados por serem portadores de um único olho, se tornam reis de tribos pouco esclarecidas e, por perceberem suas fragilidades, unem-se em coros de discursos vazios, mas com teor apelativo ao emocional patriótico de defesa de território, com a finalidade também única de manter os demais, a cada dia, mais alienados e cegos, para, então, como salvadores sempre de prontidão exercer seus principados do atraso e da ignorância.

Se vivos fossem, Piaget, Vigotsky e o nosso pensador Paulo Freire, homens que se dedicaram ao desenvolvimento da criatura humana, disponibilizando-se por todo o tempo de suas vidas a defender o que acreditaram ser os básicos e fundamentais  infinitos direitos à educação, certamente franziriam suas testas com mais embasamento que esta humilde cronista, lamentando sem qualquer possibilidades de entendimento racional o por que da criatura humana ser ainda tão neófita, até mesmo para copiar o que já é consagrado, por governos tradicionalmente restritivos, como a China e Coréia do Norte.

- Não!!!!

 Dirão:

- Nada disso, aqui, somos um povo guerreiro, descendentes de Maria Felipa e sabemos como guardar a nossa terra.

Será que sabem mesmo?

Por que, então, precisaram formar força tarefa em 2008, unindo-se aos declarados vizinhos inimigos, para em batalha sem propósitos que visassem o bem comum, adentrar de volta ao poder, para logo em seguida, erguerem seus bacamartes de interesses particulares, tentando degolar uns aos outros, deixando a cidade a mercê das marés?

- MEU DEUS! EM QUE MUNDO TE ESCONDES?

Voltaria Castro Alves a declamar sofridos versos de sua “VOZ D´ÁFRICA, enxergando neste pedaço de terra abençoado, a mancha negra do oportunismo, travestido de uma roupagem cívica que verdadeiramente se desfigurou , ficando de real tão somente a comoção emocional das retóricas contumazes, que induz e faz permanecer a submissão das pessoas simples, humildes, muitas delas mal nutridas e desesperançadas.

E aí, sem boi de piranha, naturalmente de fora para que se estenda o dedo acusador, voltar-se-ão uns contra os outros num duelo doméstico, como anteriormente acontecia, onde as mágoas, ressentimentos, raivas antigas, disputas de quintal, segredos de alcova, pecados, transgressões guardadas ou superadas, se farão presentes na eloquência da vez, manchando os palanques que, por princípio e fim, são terrenos férteis para que se aperfeiçoe o ato democrático de se expressar opiniões, projetos e ambições em função de um bem comum, e não para servir de palco para um script de ofensas pessoais, autoritarismos ultrapassados, agressividades desnecessárias que me remetem às páginas policiais em que movido pelo desequilíbrio emocional sem qualquer apoio racional, esfaqueia-se, 20, 30, 40 vezes outro alguém, explode-se quarteirões e prédios de inocentes, em nome do amor, seja da pátria, de si próprio ou, o que é pior, em nome de Deus.

Que coisa.  Heim!!!!

Pensando em tudo isto, neste domingo de sol brilhante, como também uma pessoa de fora que foi conquistada por esta terra bendita e que nunca deixou de reconhecer a grandeza sempre presente nas almas humanas, conclamo os de fora que, como eu, elegeram Itaparica, no mínimo, como seus refúgios de obtenção de paz, a virem  se unir a um velho sonho que reside nos recôncavos íntimos desta senhora, que é o de poder verdadeiramente fazer algo palpável que se reverta em oportunidades, reais, sem burocracias, delongas e milongas, pensando-se apenas nos demais, criando uma escola modelo chamada VIDA E LIBERDADE, cujo objetivo além da instrução formal,  seja o de estimular a autoestima, o respeito próprio, abrindo, assim, caminhos sem voltas, com a noção na medida ideal da ética e da estética comportamental, ingredientes absolutamente necessários a mais primária das básicas intenções educativas, aí sim, receita única de se alterar posturas e sentimentos viciosos que até beneficiam a alguns, mas que jamais, em tempo algum, foi capaz de gerar e gerir progresso.

Que tal, pensem nisto com carinho, pois bem sei que, de grão em grão, somos capazes de com nossos quinhões extras, formatar o básico, renovando hábitos, abrindo espaços que vão além das lamentações intimas.

E aí, quem se habilita a encerrar de vez com a parte melancólica e destrutiva da história deste local bendito, acionando os amigos endinheirados e poderosos, resgatando um civismo verdadeiro que, afinal, se encontra adormecido, mas absolutamente presente na consciência de todos nós?

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