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CONSTATANDO E CONCLUINDO: COMO DISPENSAR OS SENTIDOS NA FORMATAÇÃO DE QUALQUER CONCEITO EDUCACIONAL?


Como não associá-los ao racional para que haja uma integração completa, e assim, o homem se apresente como um ser amparado na sua mais ampla potencialidade que faz dele um ser único e diferenciado dos demais animais.

É justamente essa sensibilidade racional que permite ao homem, desde a mais tenra idade, traçar parâmetros, fazer análises observatórias e concluí-las com lógica precisa sobre todo e qualquer assunto no qual o seu interesse ou necessidade assim determine.

Esta parceria fundamental é imprescindível à formação do indivíduo no que concerne sua adesão, adaptação e auto consciência de pertencer à categoria de ser humano dentre os demais seres, assim como é determinante quanto à sua identidade individual.

À partir desta premissa, pragmenta-se que para que haja uma formatação concisa, séria, eficaz e integralizante, o aluno precisaria conviver em sala de aula com um professor/educador que estivesse exercendo sua função coerentemente às suas aspirações pessoais, através de sua postura físico/emocional.

É inadmissível que a profissão de professor seja tão somente um intermediário entre o ostracismo e uma idealizada carreira, ou o que ainda é pior, que seja somente um ancoradouro para todo aquele que não consegue, ou não é capaz de sequer tentar outros caminhos profissionais.

O resultado final constata-se no cotidiano  das escolas, onde a falta de compromisso individual associou-se à falta de competência e desestímulo de um sistema político capenga.

Ao longo dos últimos 50 anos, quando as “escolas particulares” começaram a representar novas opções, a classe média foi gradativamente migrando para suas unidades, enquanto as “escolas públicas”, que eram, até então, de excelência, foram deixando de ser paulatinamente prioridade de nossos governos, até chegar aos dias atuais, onde a boa expressabilidade numérica se compara ao descaso, baixos salários e há alunos com baixíssimo aproveitamento curricular.

Lamentavelmente, a qualidade foi sendo substituída pela quantidade, tanto de unidades escolares, quanto de professores despreparados e alunos medíocres.

É lamentável, pois não existe falta de verbas, tão pouco uma demanda expressiva, entretanto, falta lisura no trato com a verba educacional, competência na aplicabilidade dos programas pré estabelecidos e, acima de tudo, “vocação” dos diretamente envolvidos, que preferem transferir, como bebês chorões, a responsabilidade de suas inabilidades, seja às famílias, seja ao governo, a restaurarem-se ou optarem se devem ficar ou sair de um trabalho que não lhes satisfaz, seja financeira ou emocionalmente, ou ambas.

É claro que existem professores seriamente comprometidos e altamente competentes, no entanto, são ofuscados pelo mar de outros que fazem da sala da aula um mero “ganha salário”, ainda por cima, baixo.

A simbiose do descaso chegou ao clímax do desinteresse e da violência, resultado final possível de ser verificado com assustador resultado nas séries do ensino médio, por não ter havido o despertamento e o estímulo à permanência e respeito à escola, ao mestre e a si mesmo, na base, no ensino fundamental, onde tudo começa e se estrutura.

Lembro-me que na escola em que cursei da 1ª à 4ª séries, haviam dentistas e médicos, uniforme completo, produzido pelas mães, cursos de integração com a comunidade de corte, costura, assim como a cada 30 dias, mães se revezavam no preparo da “macarronada” que era distribuída aos carentes do bairro. E aí, como esquecer das professoras Luiza e Ana? Como não lembrar do “tudo de bom” que delas recebi?

Como esquecer a irmã Cirila, minha primeira grande inspiradora a voltar meus interesses à formação de “gente pequena”.

Não há qualificação adequada aos professores deste ensino, não há estímulo salarial, não existe qualquer tipo de integração consistente e permanente com as famílias destas crianças e tão pouco com as comunidades das quais elas estão inseridas, afinal, pensar em tudo isso me faz parecer ridícula, quando lembro que sequer existe merenda, e a fome é a tônica maior.

Bom seria que o desvio de verbas da educação e da saúde fosse enquadrado em crime hediondo, assim como os “indícios” passassem a ser evidências, pois são fáceis de serem comprovadas.

Que os jovens, ao se formarem no magistério e nas universidades, fossem submetidos a um teste de qualificação (tipo OAB), pois afinal, passarão a ser os primeiros guias na formação intelectual, emocional e postural de “gente” que conviverá com “gente” e com a vida em toda a sua expressabilidade diversa, educar e administrar educação é uma séria responsabilidade que exige competência, vocação e, acima de tudo, respeito à vida, bem maior de todos nós, amplificando, assim, a conscientização ecológica e a preservação de seu meio ambiente.

Mestrados especializados deveriam ser qualificações exigíveis ao ensino fundamental, base suprema da formação psicosocial das criaturas humanas, que teem neste desabrochar absolutamente natural, campo fértil para a absorção adequada quanto à sua individual responsabilidade enquanto mais um ser vivente e social.

O que se constata são alunos que chegam nas universidades sem grandes bases de conhecimento e nenhuma  conscientização do sentido maior de vida e liberdade  consigo e muito menos em relação aos demais. Portanto, falar em sustentabilidade, meio ambiente e cidadania é “brincadeira” ou, no mínimo, mais uma ação repetitiva, impressa nas grades disciplinares, bonitas e sábias de serem observadas, mas a mil anos luz de serem devidamente apreciadas e absorvidas pela imensa maioria.

Pensem nisso...

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