segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pensamento de Leigo


Analisando por outro prisma, penso que a noção de liberdade tão proclamada, principalmente pelos ativistas sociais, tem propiciado, no mínimo, controvérsias na avaliação de suas qualificações aplicativas na rotina cotidiana, sendo aclamada como um bem ao alcance de todos, mas, que na realidade, quando exercida por um, certamente é impedida ou torna-se instrumento de coação a outros, vejamos:

Alunos do Curso de Educação Física da Universidade Federal do Recôncavo, através da unidade CFP em Amargosa, deflagraram uma greve, indo de sala em sala convidando os demais alunos de disciplinas diversas a aderirem ao movimento grevista em prol de justas reivindicações que, até o momento presente, diminuem consideravelmente o nível de qualidade do aprendizado.

Logo o movimento absorveu alunos de outras unidades, transformando o ato, inicialmente isolado, em uma complexa e ampla reivindicação.

Até ai, aparentemente tudo parece ser justo e correto, além de estar no direito constitucional, até que nos permitamos a uma análise sem emoção.




Partindo do fato concreto de que isto não deveria estar acontecendo, uma vez que, para que haja um projeto de construção de unidades acadêmicas federais, deduz-se que exista escolha de local acessível, cronogramas, organogramas, fluxogramas e verbas para elaboração, instalação e administração coerentes com os propósitos básicos e fundamentais, dentre eles, funcionalismo administrativo competente, corpo docente qualitativo e instalações adequadas e básicas às formações a serem instituídas.

Se, partes consideráveis destes quesitos foram sendo negligenciados, e no caso específico da unidade de 

Amargosa é gritante os descasos que se apresentam, a quem atribuir a responsabilidade?

Ao reitor e a sua equipe? Transferindo a eles todas as mazelas aparentes e também subjetivas que se expressam através de uma formação capenga?

É claro que eles são os responsáveis, pois eles existem também para serem peças itinerantes entre a instituição e o governo, assim como ativos aplicadores concisos das verbas nos propósitos de promover um ensino de qualidade.

Mas serão os únicos responsáveis?

Não seriamos nós, alunos, professores, funcionários administrativos, coordenadores, corresponsáveis pelo descredenciamento dos propósitos básicos, deixando o barco correr até que as condições se tornem insustentáveis, e aí, nada mais restando que se tomar atitudes radicais, como a que ocorreu no 1º semestre deste ano de 2011 com a greve dos funcionários e logo em seguida no início deste 2º semestre com a greve dos alunos?

Onde está residindo à liberdade, se tem sido privado o ato supremo de ensinar e aprender?

E porque somente os alunos estão à frente deste movimento se as reivindicações dizem respeito a todos deste todo educacional?

Pelo menos, não deveria ser assim?

Onde estão as verbas? O que foi feito do tempo que decorreu desde a fundação e instalação do específico campus de Amargosa?

Porque o silêncio ostensivo de mestres, doutores, coordenadores de cada curso ao longo destes anos onde tudo que hoje se reivindica já era notoriamente precário?

Conscientização e verdadeira integração são justo o que não existe como base sustentável nas instituições de ensino superior, penso então no restante...

As peças humanas em suas funções ficaram, no mínimo, omissas, acomodadas em seus mundinhos particulares, fazendo, no máximo, fofocas de corredores, ou, o que é pior, usando de recursos sorrateiros e isolados de indução aos alunos para que estes, no isolamento de suas condições de aprendizes  reivindiquem direitos que pertencem a todos, estimulando, assim, o não cumprimento dos deveres, que, afinal, no caso é o de estudar, pois cada membro desta ou de qualquer unidade constituída tem como objetivo tornarem-se profissionais de qualidade, até porque, por todo este período, os verdadeiros prejudicados foram os alunos que se mantiveram recebendo medíocres ensinamentos, visto que de uma forma ou de outra, as necessidades dos demais foram sendo atendidas em dia certo a cada mês, em forma de salários e bonificações.

Tem algo muito discutível na alma dos propósitos desta greve, e penso, então, que é preciso deixar a passionalidade um pouco menos expressiva e buscar meios mais coerentes de avaliação e reivindicações.

Longe de querer ser dona de qualquer verdade, apenas sinto que muita coisa precisa ser alterada à partir das posturas de todos os envolvidos, afinal, tudo precisa permanecer no âmbito de interesse da formação de futuros educadores, estou assim tão errada?

Pois é, pensando em tudo isso, sei que certamente ainda estou muito distante do cerne da questão e muito neófita quanto aos meandros do fluxo que existe entre o Governo Federal, sua burocracia e a ponta do iceberg que é justo cada unidade de ensino federal, no entanto, dentro do que sei, penso que sei ou que creio deveria ser, existe uma realidade a ser entendida por mim, assim como a todo aquele que não entende o porquê de uma unidade universitária abrir suas portas sem que esteja devidamente estruturada, a fim até de que as disciplinas sejam devidamente aplicadas e ao final dos cursos o diploma seja pelo MEC, órgão federal que deveria, em princípio, ser responsável por liberar o funcionamento de uma Universidade Federal somente após a mesma atender a todas às suas exigências, que são federais, não?

Como eu ou você, podemos entender que uma universidade represente tão somente “elefantes brancos ou coloridos, instalados nos confins de nossa senhora”, onde o tudo o mais  capenga. Uma casa de ensino, a meu ver de leiga, não se restringe a corpo físico, burocracia e funcionários, antes de tudo precisam possuir excelência de propósitos.

Na unidade de Amargosa, falta moradia, restaurante universitário, biblioteca mais completa, auditório, quadra de esportes, ambulatório, transporte, acesso seguro, manutenção física, laboratórios e tantas outras providências que a minha ignorância a respeito não me permite exemplificar.

Portanto, antes que me joguem pedras, quero dizer que só gostaria mesmo é de estar em sala de aula, recebendo o que me é de direito e cumprindo com as minhas obrigações.


Aliás, ainda não consegui entender porque a prática do ensinar é tão pouco ensinada. Será por esta razão que cada vez esta nobre profissão tem ficado tão igual a qualquer outra, sem a magia de um propósito especial, que é justo o de capacitar gente?

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