segunda-feira, 17 de agosto de 2026


 

Gozo de vida...

Depois de dias que pareciam ter engolido o sol, eis que surge uma manhã clara trazendo pequenos fachos do bendito no horizonte, iluminando, ainda que timidamente, as copas das árvores e os cumes das colinas que posso enxergar.

Existe no ar uma brisa ainda fresca, capaz de provocar pequenos arrepios, o que me abastece de prazer. Aliás, perdi a conta de quantos textos escrevi sobre esta minha erótica emoção que a natureza gostosamente jamais deixou de me oferecer. Talvez por isso eu esteja sempre disposta a cada amanhecer, abrindo portas e janelas na sempre espera gratificante das aragens sensitivas da vida.

"Cuidado, mamãe, a friagem pode lhe fazer mal!" 

Ouço direto esta recomendação, até porque o clima por aqui no Sul não é para principiantes. Ainda não me curei totalmente de uma gripe galopante que adora se alojar em crianças e idosos. No entanto, em manhãs como a de hoje, se eu tiver que morrer, que eu então morra em pleno gozo de vida.

Abro janelas para a alma respirar...

Regina Carvalho (17.08.2026 – Pedras Grandes, SC



domingo, 16 de agosto de 2026

DORES PASSAM...

Ainda bem, caso contrário seríamos todos caixas pesadas de impossível transporte. No entanto, a depender da profundidade da ferida, o tempo de cicatrização varia, assim como o aspecto da cicatriz. E aí penso que a vida é tão perfeita que pensa em tudo e nos oferece o tempo e novas experiências, inclusive as que nos causam novas dores, a fim de que dispersemos o nosso foco, sem, no entanto, apagar as lembranças, para que não nos esqueçamos do ocorrido. 


 


RIDÍCULA...

Neste sábado escrevo sobre a constatação das vezes em que fui conscientemente ridícula, contrariando toda uma educação na qual conter as emoções era fundamental. 

Todavia, a forma que me moldou tinha pequenas rachaduras por onde escapuliu a obediência emocional. Aí, vez por outra ao longo da vida, as emoções me dominavam e não havia absolutamente nada que fosse capaz de contê-las. 


sexta-feira, 14 de agosto de 2026


 

EU QUERIA TER SIDO...

De repente, neste amanhecer a inveja me dominou. Afinal, enxergo e sinto tão profundamente a vida, por que, então, não consigo ser poeta? Durante toda a minha vida, fui agraciada com leituras simplesmente magníficas de poetas renomados, numa tentativa primeira de encantar ainda mais a minha mente e a minha alma, mas também para aprender a sê-lo. Qual nada. E olha que tentei ardorosamente, mas a rudeza das realidades que também enxergava serpenteando as belezas não podia ser esquecida. Então, lá estava eu navegando nas águas revoltas das emoções controversas, justo aquelas que a maioria sequer deseja encontrar, ainda mais de forma tão explícita numa poesia.