sábado, 12 de setembro de 2026

 


CAMA DE GATO

Em seu sentido figurado, a expressão pode descrever uma situação confusa, uma cilada, uma enrascada ou uma armadilha preparada para enganar alguém. Pensando a respeito, creio que ela se adequa perfeitamente ao nosso país, onde a história foi e sempre é moldada de acordo com os interesses dos grupos dominantes. Por ter sido sempre um sucesso retumbante em garantir sistematicamente o poder e os lucros, essa narrativa tornou-se oficial. 


sexta-feira, 11 de setembro de 2026


 

ARROUBOS DE UMA CONSUMISTA

Revendo a foto da elegante parenta próxima de um certo prefeito, de uma cidade repleta de pessoas carentes cuja maioria, ainda pisa na  lama, deixando-se fotografar com ares de "dona do mundo" (ou pelo menos de um pedacinho de terra que elegeu seu reinado) diante de um belíssimo Mercedes, foi impossível não lembrar de uma certa Regininha deslumbrada.

Com 21 anos, sempre movida pelos arroubos das paixões imediatistas, típica característica das meninas mimadas, ela se encantou com uma Mercedinha prata que se exibia na agência de automóveis do amigo Botelho, lá de Brasília e seguindo o próprio fluxo, manobrou e imediatamente deixou o seu Ford esporte verde com teto de vinil preto, que tempos antes havia lhe fascinado. Como lá assinaturas e dinheiro não me eram cobrados, pois sabiam do lastro existente e de infinitas outras trocas exitosas que e já havia acontecido, saiu toda orgulhosa, tendo no banco do carona a sempre fiel parceira de traquinagens, a adorável amiga irmã(deixa para lá o seu nome), e assim, charlaram a manhã todinha pela cidade. 


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

 


QUE COISA, VIU!!!

Neste amanhecer ainda encoberto pelo denso nevoeiro, trago o céu iluminado para dentro de mim como de costume. Afinal, de que me serviria o cinzento? Basta-me tê-lo no cotidiano, onde o preconceito dele se vestiu a fim de fazer-me desistir de segurar firme, em minha vida, o sol ardente do verão de minha Ipanema. Fecho os olhos e me vejo estirada no piso escaldante do terraço, acolhendo em mim seus deliciosos fachos de luz, até o ponto de conseguir transformá-los em mil estrelinhas que me cegavam de prazer. Isso me obrigava a fechar os olhos, respirando arfante, abrindo espaço em minha mente para os delírios infantis.