terça-feira, 24 de março de 2026

ESCULPINDO A NEFRITA

Acordei pensando que sentir-me evoluindo jamais significou ter que me adaptar a novos costumes por obrigatoriedade, perdendo a originalidade das minhas convicções. Estas foram esculpidas em mim a muitas mãos, durante a infância e a adolescência, parâmetros que nem sempre tiveram destreza suficiente para talhar as nuances necessárias à estrutura rígida que sempre apresentei.

Minha mãe detinha as ferramentas de modelagem, o espaço e o tempo; meu pai era o responsável por limpar o pó e os detritos gerados pela escultora em seu processo criativo, garantindo a organização e a segurança do local de trabalho. Mamãe era a definidora do estilo; papai, o mestre dos detalhes e acabamentos. E assim, ambos permaneceram unidos por 33 anos, até que o câncer os separou.

domingo, 22 de março de 2026

QUEBRANDO REGRAS

Desde sempre foi assim que me pautei, não por inconsequência, mas por compreender que muitos costumes, ações e reações não faziam sentido diante do que eu enxergava e sentia.

E então… pau na Regininha.

Desde cedo, isso ficou evidente. Ainda mais porque me era absolutamente nítido o comportamento das pessoas, muitas vezes conscientes das reações que provocavam, dependendo da qualidade de suas atuações.


sábado, 21 de março de 2026

TUDO É ESPECIAL

A neblina lentamente se desfaz, deixando as cores surgirem diante de meus olhos que, fascinados, se deixam penetrar por toda essa forma natural que, mesmo sendo velha conhecida, faz questão de se remodelar a cada amanhecer.

Exibe-se serenamente e me leva a pensar que esta foi, sem dúvida, a maior lição apreendida em minha infância. Tão poderosa que me impulsiona até hoje, a fim de não me deixar esquecer que sempre fui e serei a Regininha, conscientemente pronta a transmutar-me em novos conhecimentos, sem macular minha originalidade.


sexta-feira, 20 de março de 2026


 

BENDITO CÉU

São quatro horas de uma tarde de final de verão, nublada, mas absurdamente quente, prometendo uma chuva que há vários dias ameaça, mas não cai.

Enquanto isso, movida pela despedida de mais um verão de minha vida, aproveito para despedir-me do que até então, por motivos diversos, fui deixando ficar e que me incomoda por demais.

Despedir-me, com certeza, de uma acomodação que nutri a vida inteira, disfarçando-a com várias vestimentas a depender da ocasião. Apesar dos pesares, fui dividindo com ela uma Regininha que, moldada por uma educação tradicional, aprendeu a dizer "sim" pelo simples fato de ser mulher. Dela, mesmo que internamente esperneando, esperava-se abnegação, renúncia e um bom comportamento para não ferir, em demasia, as expectativas alheias.


quinta-feira, 19 de março de 2026

ENFARADA...

Não sei você, independentemente da idade que tiver, se vez ou outra não se vê tomado por uma sensação de enfado que, de tão forte, limita por algumas horas todo e qualquer entusiasmo. É como se nada fosse capaz de lhe motivar; uma espécie de cansaço generalizado.

Estou me sentindo assim desde ontem. É uma sensação antiga e conhecida que detesto, mas que é maior que minha vontade. Lembro-me de senti-la desde sempre, com a vantagem de ser rápida a sua retirada.


ESCULPINDO A NEFRITA

Acordei pensando que sentir-me evoluindo jamais significou ter que me adaptar a novos costumes por obrigatoriedade, perdendo a originalidade...