Acordei pensando que sentir-me evoluindo jamais significou ter que me adaptar a novos costumes por obrigatoriedade, perdendo a originalidade das minhas convicções. Estas foram esculpidas em mim a muitas mãos, durante a infância e a adolescência, parâmetros que nem sempre tiveram destreza suficiente para talhar as nuances necessárias à estrutura rígida que sempre apresentei.
Minha mãe detinha as ferramentas de modelagem, o espaço e o tempo; meu pai era o responsável por limpar o pó e os detritos gerados pela escultora em seu processo criativo, garantindo a organização e a segurança do local de trabalho. Mamãe era a definidora do estilo; papai, o mestre dos detalhes e acabamentos. E assim, ambos permaneceram unidos por 33 anos, até que o câncer os separou.






