quinta-feira, 9 de abril de 2026


 

EU PASSARINHO...

Em madrugadas como a de hoje, em que meu sono foi interrompido por uma gata linda, mas teimosa e chata, que arranhava a porta do quarto incessantemente querendo entrar, o que para mim seria impraticável, levantei-me aborrecida. Vencida, mas certa de que dormir na companhia de animais não faz parte das atenções que devo oferecer, não cedi à sua insistência.

Depois de tomar o meu pingado, sentei-me diante do notebook para passar o tempo nas redes sociais, já que escrever meu texto diário parecia impossível. Todavia, a noite mal dormida deixou sua marca de enfado e, ao mesmo tempo, abriu uma incrível janela. Por ela, deixei-me enxergar, sem qualquer sabotagem ou covardia, a minha realidade no aqui e agora. Tudo isso porque, mesmo negando, eu pensava: "O que os outros vão pensar?".


quarta-feira, 8 de abril de 2026


 

SABORES DA VIDA

Acordei saboreando fatias de banana-da terra, fritas polvilhadas com açúcar e canela, sentindo o gosto inundar o céu da minha boca. Que delícia são as lembranças emocionais!

Penso que passei a maior parte da vida registrando tudo de bom que fui encontrando pelos caminhos que percorri. Procurei ser absolutamente fiel aos detalhes, pois são eles que fazem a diferença entre o comum e o especial. Para mim, uma banana-da-terra precisa ser frita para ser inserida como acompanhamento ou sobremesa, trazendo para a refeição um toque completo e pra lá de especial.


terça-feira, 7 de abril de 2026

CONVERSANDO COM DEUS.

Oração das Margens e das Águas 

"Senhor, Criador de todos os rios e fonte de toda a vida,

Hoje eu Te peço o discernimento para entender os meus limites.

Que eu saiba honrar as minhas margens, reconhecendo nelas não uma prisão, mas o abraço que direciona o meu caminho e protege a minha essência.

Fortalece, Senhor, as minhas matas ciliares. Que os meus sentidos e a minha consciência estejam sempre em alerta, como guardiões do meu leito, para que as chuvas das ilusões e as enxurradas do inadequado não me façam transbordar para o abismo.


segunda-feira, 6 de abril de 2026

LIMITES

Pessoalmente, comparo-os às margens de um rio. Creio que, por mais que sejam vilipendiadas, lá permanecem como direcionadoras de caminhos para as águas volúveis. Assim somos nós: intempestivos violadores dos próprios limites, oferecendo às nossas vidas irreverências comportamentais sob os auspícios de inúmeros argumentos que justificam os absurdos cometidos por nossas emoções. Violamos profundamente nossas ricas matas ciliares, que são nossos sentidos, os quais, em incansável alerta, persistem em sinalizar perigos evidentes.

De tempos em tempos, a história da humanidade em relação ao convívio interpessoal e ao meio ambiente se intensifica no tocante às inconsequências de todas as ordens. É possível constatar, na era atual, que tudo parece progredir em aspectos científicos e tecnológicos enquanto uma parcela da humanidade se esforça no resgate de uma barbárie generalizada. Isso, mais do que assustar, destrói o bem mais precioso: a vida em seus aspectos mais estruturantes.


Oitenta e Duas Primaveras no Coração

(Homenagem a Sebastião Roberto)

Não conto os anos de ausência,

mas os de presença que ainda sinto.

Oitenta e duas primaveras de uma essência

que floresce em mim, num laço indistinto.

Fomos o porto, o barco e o mar,

desde os meus dezesseis e os seus vinte e dois.

Aprendemos que amar é, acima de tudo, cuidar,

sem deixar o "nós" para depois.

O cotidiano mudou de tom,

o silêncio ocupou o lugar da voz,

mas o que vivemos foi tão bom,

que o amor ainda vela por nós.

Parabéns, meu eterno Tião,

por ser a saudade mais doce que carrego na mão.

Regina Carvalho - 6.4.2026 Pedras Grandes SC