Três títulos tentei no Word colocar,
E a máquina fria teimou em rejeitar.
Dei um tranco no sistema, um grito de atenção,
E o algoritmo aceitou a minha rebelião.
Reli o meu passado, folheei o meu guardado,
Complexo de Dor Social, por mim foi autorado.
Olhei para as páginas e o peito estremeceu:
Será que esta mente é deveras, minha?
Não tenho fortuna, nem cargo, nem altar,
Mas tenho um oceano difícil de calar.
Sou estranha no ninho do plano financeiro,
Que esquece a grandeza do ser por inteiro.
O mundo está cheio de gente informada,
Mas cega de lógica, na rede arrastada.
Confundem opinião com o eco da massa,
E a própria razão, feito fumaça, passa.
Aonde eu queria chegar com o meu canto?
Na mente dos poucos que vencem o espanto.
O medo da perda é uma trava gigante:
Quem guarda o vazio não vê o brilhante.
Eu bem que queria nas redes mentir,
Cantar o que a turba deseja escutar.
Mas a minha essência não sabe fingir:
Prefiro a verdade do meu caminhar.
Regina Carvalho-6.11.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração IA


