sexta-feira, 30 de outubro de 2026


 

CIRCO DOS HORRORES - Capítulo I

Quietinha em meu pequeno e absolutamente lindo local entre matas e pássaros, que escolhi por força das circunstâncias vivenciar neste tempo de minha longa vida, penso que talvez mais que a maioria e sem muito mérito pessoal, já que não mais sofro influência in loco dos movimentos histéricos do sistema social, humano e político de meu Brasil Varonil, o que faz de mim uma privilegiada ou um exemplo de rebelde sem causa?

E aí, alguém poderia pensar que sou uma pessoa chata que só vive para estudar, escrever e publicar textos enfadonhos. Talvez quem assim pense tenha um pouco de razão, afinal, nos tempos bicudos que o país apresenta, e não é de hoje, com apresentações contínuas do Circo dos Horrores que se instalou em solo nacional e se recusa a mudar de praça com seus horripilantes personagens, alguém vir a público defender conceitos como ética, honra, dignidade e amor seja mesmo chato de se ler.


quinta-feira, 29 de outubro de 2026


 

RECLAMA DO QUÊ?

Geralmente sou capaz de tolerar o inadequado ao meu redor, provavelmente mais do que a maioria das pessoas com quem convivo. Mas, pelo amor de Deus, nos últimos anos o que mais vimos e ouvimos foram notícias repetitivas, suplantando a urgente necessidade de focarmos, com a mesma tenacidade, na cobrança pela erradicação da miséria e da violência crescentes. Isso sem falar na corrupção institucionalizada, que abriga ilustres figuras que julgam a si mesmas, esquivando-se, bem diante dos olhos de cada brasileiro, de seus compromissos mais sagrados com o país e com o povo. Em vez de focar no que importa, transformaram a política em um reality show perpétuo, garantindo mais do que audiência: muitos dividendos aos cofres das emissoras. Sabedores que o brasileiro se contenta com espetáculos de baixa qualidade para espairecer de dias monótonos, marcados por mazelas diárias. Optam por focarem em figuras que já nada representam para as esperanças do cidadão, enquanto essas mesmas figuras vivem nababamente, em realidades com as quais o trabalhador mal pode sonhar. Se pudéssemos, cá entre nós, há muito já teríamos feito as malas. Penso que, nesta terra, quem tem um olho é rei: vira esperto e se torna um político ao estilo de Sinhozinho Malta ou Viúva Porcina em qualquer arraial onde a pobreza e a ignorância sirvam de berço esplêndido para a sua própria evolução financeira. Para o doutor desempregado, restam os aplicativos ou, quem sabe, um cabide de empregos como assessor de coisa nenhuma de algum político, apenas para ostentar uma foto ao lado do poder. No fundo, acham isso melhor do que imigrar para trabalhar no pesado, mesmo ganhando bem. O consolo vira um abadá parcelado em suaves prestações para esquecer a realidade atrás de um trio elétrico. E se o dinheiro faltar, resta seguir a pipoca da Ivete. 

E aí, Regininha, vai reclamar de quê, se moras num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza?

Regina Carvalho-29.10.2026  Pedras Grandes SC



Ilustração- IA

quarta-feira, 28 de outubro de 2026


 

FRANZ KAFKA E EU

Acordei elétrica nesta manhã de quarta-feira, pensando em tudo o que vem acontecendo na política do meu Brasil, sem adentrar na mundial. Foi-me impossível não lembrar que, de tantos livros clássicos que já li, o de Franz Kafka provavelmente tenha sido o que menos, a princípio, entendi. Por ser, na época, apenas uma adolescente, mas por insistência e entendimentos repassados por Roberto, voltei a lê-lo em várias outras ocasiões, até que comecei a compreender o cerne precioso de suas mensagens.