domingo, 30 de agosto de 2026

FLORESCENDO COMO OS IPÊS

Neste amanhecer, como em tantos outros, acordei absolutamente apaixonada por mim. Olhei-me no espelho enquanto escovava os dentes e senti um enorme orgulho da jovem, da mulher madura e da senhorinha que me tornei. Curvei-me para enxaguar a boca e lavar o rosto e senti a água fria despertar-me totalmente e, por conseguinte, sorri admirando-me encantada. 

Que vida, hein, dona Regina?! Que show de desenvoltura e criatividade, aliada à sempre presente paixão pela vida e à sem tamanho fidelidade aos meus familiares e amigos.



 

MENINO PERDIDO

Ontem caí na besteira de assistir à entrevista que mais pareceu uma inquisição com o entrevistado Flávio Bolsonaro, na Rede Globo. Desde o início, percebi uma pessoa que se sentia insegura, o que me levou a lembrar de meu filho quando eu precisava ter um papo mais sério com ele. A princípio, aquilo me causava pena, mas fazer o quê, se meu papel, além de amá-lo, era educá-lo?

Pois é, lá estava o frágil Flávio Bolsonaro tentando responder, através de desvios argumentativos, às perguntas incisivas dos dois bem escolados jornalistas. Eles só atenuaram para o presidente Lula e mais ninguém, até porque os demais, afora o Caiado, até então não lhes pareciam capazes de estar na mesma pista da corrida presidencial. 



 

O ABRAÇO DA MEMÓRIA

O vento lá fora assovia e traz a chuva,

O nevoeiro cinzento esconde o quintal,

E a alternância do tempo que tudo muda

Me faz lembrar o que é eterno e real.

Desde que você se foi, meu adorável Roberto

A noite chega fria e o silêncio é companheiro,

Mas busco o aconchego que a saudade tem

Na quentura guardada em meu travesseiro

A imaginação abraça a minha necessidade,

E na fantasia amorosa que ela sabe criar,

Sinto de novo aquele amor de verdade,

No seu calor a me confortar.

Ah, se as pessoas pudessem notar o valor

De quem caminha ao seu lado com esmero,

Cuidariam melhor de cada detalhe, do amor,

Pois o tempo voa mais rápido e surpreende.

Tudo passa depressa, deixando apenas lembranças

O que tínhamos ontem, hoje não temos mais,

Mas quem ama com a alma no fundo entende:

As velhas lembranças são portos de paz.

No fim das contas, quando o frio nos alcança,

É o calor do passado que nos faz bem,

Fazendo valer o tempo vivido

E das doces memórias que o coração tem.

Regina Carvalho- 30.8.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração -IA 



quarta-feira, 26 de agosto de 2026


 

PERDI O SONO

Impossível para mim desrespeitar minha própria natureza. Quando o faço, ela cobra sem piedade. Na noite passada, tirou-me o bendito sono que, como um reloginho, sinalizou-me, como sempre, que era a hora de ir dormir. 

Como não fui, perdi o direito de simplesmente apagar serenamente e, quando penso nas razões que me induziram a este erro imperdoável, sinto muita raiva de mim. Agora, às cinco e trinta da manhã, fazer o quê, além de adiar os compromissos?


FLORESCENDO COMO OS IPÊS

Neste amanhecer, como em tantos outros, acordei absolutamente apaixonada por mim. Olhei-me no espelho enquanto escovava os dentes e senti um...