sexta-feira, 30 de outubro de 2026

CIRCO DOS HORRORES - Capítulo I

Quietinha em meu pequeno e absolutamente lindo local entre matas e pássaros, que escolhi por força das circunstâncias vivenciar neste tempo de minha longa vida, penso que talvez mais que a maioria e sem muito mérito pessoal, já que não mais sofro influência in loco dos movimentos histéricos do sistema social, humano e político de meu Brasil Varonil, o que faz de mim uma privilegiada ou um exemplo de rebelde sem causa?

E aí, alguém poderia pensar que sou uma pessoa chata que só vive para estudar, escrever e publicar textos enfadonhos. Talvez quem assim pense tenha um pouco de razão, afinal, nos tempos bicudos que o país apresenta, e não é de hoje, com apresentações contínuas do Circo dos Horrores que se instalou em solo nacional e se recusa a mudar de praça com seus horripilantes personagens, alguém vir a público defender conceitos como ética, honra, dignidade e amor seja mesmo chato de se ler.


Portanto, peço desculpas aos não assumidos e sensíveis leitores e assim a eles me dirijo, porque presumo que, para desgostar do que escrevo, só seja possível a quem me lê. E aí, sinto-me vitoriosa em meus propósitos, afinal: gostando ou rejeitando, meus textos foram lidos e, de alguma forma, surtiram efeitos, nem que seja o de cutucar uma mente atávica, hipócrita ou preconceituosa. E como sou, antes de tudo, um serzinho apaixonado pela vida, em especial pelas pessoas, sinto-me recompensada por ter sido notada neste furdúncio cibernético das redes sociais.

Usei "furdúncio cibernético" como uma expressão informal e bem-humorada para descrever a grande confusão e tudo mais que acontece no ambiente digital, especialmente nas redes sociais, sem querer em absoluto ser grosseira.

Opto por resgatar sentimentos e emoções balizados em valores que insistentemente são jogados para debaixo do tapete de um novo e questionável modo de ser e de agir. Esse modo se prolifera, apresentando seus danosos efeitos em qualquer lugar, começando no interior dos antigos locais que eram chamados de lar.

Penso e repenso em minha luta pessoal absurda para evitar ceder e adentrar, pela força de influências que são como tufões, no obscurantismo que chega ao ponto de emburrecer, anestesiar ou fazer morrer tudo o que de realmente belo se possa ter: sabedoria, nobreza pessoal, amor e honra. Mistura-se progresso e barbárie num único caldeirão que hoje em dia chamam de evolução. Nunca se mentiu tanto, se feriu tanto, se matou tanto com tamanha desfaçatez, em nome de uma liberdade que só Deus é capaz de perdoar.

Como então não lembrar do capítulo 23, versículos 4 e 5, em que Mateus registra Jesus condenando a hipocrisia dos fariseus e dos mestres da lei? "Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para os mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados 'rabis'."

Sou realmente uma chata que, apesar de não seguir nenhuma religião, ainda se acha íntima de Jesus. 

Que coisa, hein!

Regina Carvalho-30.10.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração -IA

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