Pois é. Ontem, no Jornal Nacional, percebi que não preciso gastar mais qualquer energia intelectual para tentar entender o que poderá vir a acontecer nos próximos capítulos da política tupiniquim brasileira.
Afinal, basta observar que não há mais capítulos inéditos. A Globo, obediente, cumpre fielmente as diretrizes do seu principal financiador em tempo recorde: simplesmente montou um novo cenário, neste caso apenas com um novo ídolo do jornalismo televisivo, e honrou seu público com mais um remake de sucesso.
Nele, como sempre, ocorrem grandes e aparentemente sérias apresentações dos fatos, revestidas de verdades absolutamente convincentes a todos aqueles que desconhecem os meandros obscuros existentes.
O objetivo é envolver os incautos no tocante aos porões dos acordos políticos e ao papel de uma rica e poderosa mídia. Todavia, não vi ou ouvi qualquer questionamento relativo ao envolvimento documentado de alguns ministros do STF e seus aparentados já que somente apresentaram o confisco dos passaportes de Flávio Bolsonaro.
Trata-se de uma regra instalada e rigorosamente seguida no tocante à fidelidade em manter, nas tramas apresentadas, os dois pesos e as duas medidas sem questionamentos, justo pelo poder de a emissora ser a maior potência da comunicação nacional e quiçá mundial.
Esse comportamento já se inseriu na mentalidade daqueles que optaram por trocar a meritocracia, a lógica e a sensatez pelas cores vibrantes do oportunismo, ou pela ingenuidade em acreditar que a polarização não foi criada como estratégia de guerra de um crime organizado, mantido por togas e faixas presidenciais.
Será que a toga, mais que uma vestimenta símbolo da justiça, definitivamente tornou-se a capa mágica do disfarce, da cilada e do esfacelamento da Constituição, ferindo-a de morte?
Bem, aprendi ao longo dos anos, na luta constante pela sobrevivência na selva do cotidiano, que ir contra os leões e os tigres expõe as gazelas a se tornarem carne fresca e, em seguida, carniça para os abutres e carcarás.
Portanto, restam-me apenas duas opções: ter a bendita paciência de assistir à mesma história por mais quatro anos televisivos, com novos atores, mas seguindo o mesmo script da trama da vergonha nacional; ou, nos momentos oportunos para fugir dela, ler e escrever poesias para não enlouquecer.
Regina Carvalho- 27.10.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração- IA
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