quinta-feira, 23 de junho de 2016

MEU POVO

MEU POVO

Me poupem pelo amor de Deus. Que grande devoção é esta que só se manifesta no período eleitoral de quatro em quatro anos?
Nesse meio tempo, o amor vai cuidar de sua própria vida e quando procurado para com o seu prestígio pessoal resolver alguma necessidade de “alguém do povo”, se atende, coisa rara de acontecer, deixa através das dificuldades que apresenta para conseguir, isto ou aquilo, sempre a conotação de imenso favor, num claro toma lá dá cá, que o “alguém do povo”, aceita e incorpora como natural, o que transformou este tipo de relacionamento numa patologia social altamente desastrosa e os resultados estão aí, explodindo dia a dia e ao alcance de quem tem TV, Rádio, Internet ou apenas olhos e ouvidos, isto sem falar na mesma pequena lógica em correlacionar as dificuldades de seu dia a dia com a escassez cada vez maior dos serviços básicos de saúde, educação e segurança que sempre descem ladeira à baixo, enquanto os amantes do “povo” com sua vidinhas, só vão melhorando numa subida de ladeira vertiginosa, só possível em tão pouco tempo com os assaltos feitos ao erário público, num descaramento afrontoso que produz mazelas e miséria de todas as naturezas.
Para que haja “propina” é preciso que existam corruptores que na realidade são os grande impulsionadores e acobertadores dos corruptos, estabelecendo uma simbiose desastrosa a qualquer economia que atinge em cheio a grande massa da população que por sua vez, sentindo-se incapaz de reagir, passa a assumir as características de bobo da corte, servindo tão somente para dar alegrias aos seus algozes a cada quatro anos.
Qualquer pagamento que seja feito a alguém sem que este, tenha produzido algum serviço, tem que ser considerado propina e esta, só existe, pois todos os corruptos estão cercados em suas atividades por seus pares de falcatruas e de funcionários públicos alienados, medrosos ou favorecidos que se calam e a sua maneira, colhem suas próprias vantagens, aliás, o ser humano é sempre muito criativo nas articulações para se dar bem.
As legislações são tão burocráticas e maliciosas que já deixam margens robustas à todo tipo de escape, que o digam os advogados contadores e procuradores de cada município deste nosso país varonil.
Por que estou escrevendo sobre isto?
Por que, provavelmente me sinto cansada de tentar fazer certo e ser chutada como cachorro morto e ainda ter que escutar historinhas da carochinha de meia dúzia de espertinhos, que se deram bem, através de acordos mirabolantes, e que por se sentirem poderosos, e na realidade, estão, graças a mim e a um punhado de outros babacas que, fizeram o favor de transformá-los em autoridades, assim como sou obrigada tão logo acordo, a ingerir as grosseiras manifestações de amor à cidade ao estado e ao país.
Portanto, já que sou obrigada a votar, só me resta o direito de não continuar a me enganar, fingindo e me induzindo a acreditar que o elemento em questão é puro e generoso e que suas intenções são unicamente servir ao seu povo que ele só lembra que existe, de quatro em quatro anos, com direito a abraços, beijinhos e pequenos favores, cujo preço será sempre alto, não deixando sobrar para as reais necessidades do povo amado que, esmagado na sua dignidade cidadã, tudo vai aceitando e sempre buscando, um “salvador da Pátria”.
Me poupe, viu!!!!!



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