sábado, 23 de abril de 2016

DESCORTINANDO A ALMA


De repente brotou em minha mente as imagens de minha amada Guapimirim(RJ) e junto com elas o questionamento sobre a intensidade, assim como a origem emocional deste amor, como se tal explicação estivesse guardada em outra parte ainda não revelada de minha mente.
Literalmente, deixo minhas tarefas matinais e corro para o computador, deixando jorrar as lembranças em forma de letras, na esperança infantil de que possam definir tantas emoções vividas em minha infância e adolescência.
Sem mesmo qualquer esforço, posso enxergar na tela, não apenas o que escrevo, mas as imagens vívidas que me marcaram de forma indelével, justo por terem sido tão particularmente reais às minhas afinidades, a ponto de se inserirem em meu todo de criatura humana.
Estou indo mais além, sentindo aromas, nesta minha loucura psicoemocional deste amanhecer em que me encontro tão longe geograficamente de tudo que me fascinou e que me foi impresso com tintas tão resistentes que o tempo com sua diversidade e nem sempre piedosa, foi capaz sequer de borrar ou descolorir.
Posso neste instante solene, não só sentir como experimentar o frescor da umidade das samambaias do brejo que imponentes, serpenteavam as margens do riacho, criando em meu imaginário infantil, celeiro de meus sonhos, guardiães de meus medos e dos meus não entendimentos, mas acima de tudo, amigas fiéis e amorosas de minhas realidades.
Como posso medir tamanha integração?
Como dimensionar esta parceria que mesmo estando eu, neste instante, no outono de minha vida, ainda atua de forma incomensurável a ponto de reforçar-me a crença na vida e em tudo que nela existe?
Não há explicação, tão somente, o descortinamento constante de uma estrutura que se mantém inabalável, através de raízes fortes e de um clima emocional ameno.


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