sábado, 10 de outubro de 2015

Explode Coração


Acabo de colocar um pudim de leite no forno, já pensando no almoço de amanhã e, enquanto, aguardo o seu cozimento, percebo que o meu peito está um pouco sufocado, aliás essa sensação vem me perseguindo há alguns dias e, naturalmente fui desconsiderando, mas agora, resolvi encarar este mal estar emocional, afinal, porque mantê-lo?
Olho ao redor e todos estão com suas próprias atividades e nem mesmo os meus pássaros estão fazendo qualquer ruído, como se tivessem ido dar uns bordejos ou simplesmente, estão puxando um cochilo entre as folhagens ainda úmidas da chuva desta tarde.
Meus cães silenciosos me guardam como fiéis escudeiros e entre todos estes parceiros cotidianos, cá estou eu, querendo entender a razão de meu sufoco e desta impressão doída da minha indivisibilidade, trazendo-me a compreensão da profunda solidão que se descortina, quando percebo empiricamente, que não sou imortal e que, de um instante para o outro, posso deixar de sentir o perfume das flores que carinhosas, nasceram constantemente, em todos os jardins de minha vivência.
Que posso deixar de sentir a leveza das águas mornas das praias que por toda a minha vida pude usufruir, que posso deixar de dar e receber abraços calorosos, beijos amigos e apaixonados, que posso deixar de contemplar o céu, de sentir o sol aquecendo o meu corpo ou de deixar de arrepiar-me com a aragem fresca de um ventinho abusado.

De repente, sem qualquer aviso prévio, o não desejado veio me visitar, puxando literalmente o meu tapete da segurança de me sentir imortal e, como qualquer ser apaixonado pela vida, baqueei e disfarcei, mas agora, entre meus escritos e meu sufoco, liberto-me, desapegando-me da lamúria que, insistente, invade o meu coração, fechando o meu peito e querendo tirar de mim, o melhor que cultivei e que, será sempre a certeza absoluta de que, nada se acaba, tudo apenas, se renova.
E então, volto a me sentir imortal.

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