terça-feira, 18 de agosto de 2015

DESABAFO lll


Novamente a desolação toma conta de meu racional que há muito foi doutrinado amorosamente a desenvolver a tolerância, sentimento básico para um conviver mais respeitoso.
No entanto, ao longo de minha vida e mais precisamente nos últimos 20/25 anos, venho percebendo que este atributo que cuidei com tanta determinação, foi sendo encarrado como babaquice, ou seja: Como se eu fosse incapaz de reagir a altura na constatação de qualquer tipo de abuso de que venha a ser vítima, numa inversão total avaliativa, motivada pelo simples fato de que as pessoas, até mesmo como artifício de defesa pessoal, esquecem a educação, quando as tem, e partem para um imediato revide, o que vem transformando a convivência humana, num verdadeiro inferno de Dante.
Acordo todos os dias celebrando a vida e em seguida, rogando a Deus que me dê paciência e amor no coração, pois sei por experiência, que irei me defrontar inevitavelmente, com abusos de todas as naturezas, independentemente, de cumprir desde as mais básicas até as mais gigantescas obrigações pessoais, sociais, seja no convívio com os demais, seja, no trato com as instituições públicas que, em sua maioria, perderam ou nunca verdadeiramente, foram voltadas ao bem comum.
Pessoalmente, creio que o maior problema hoje existente, reside na ineficiência das mesmas em cumprirem tão somente as suas atribuições, ficando o povo, como eternos esmoleiros na dependência da boa vontade caridosa de quem deveria ter a obrigação de nos prover da dignidade que precisamos em nosso cotidiano de pessoas humanas.
Falta-nos tudo, desde um recolhimento de lixo sistemático, ruas transitáveis, iluminação, segurança, educação e principalmente, conscientização do que significa estar no comando dos bens públicos.
Falta-nos tanto que, quando alguém faz um pouquinho que seja, logo o endeusamos, quando na realidade, nada mais fazem que suas obrigações, assim como o absurdo em elogiarmos o honesto, fazendo deste atributo pessoal, uma qualidade excepcional.
E aí, falamos em voto consciente, sem mesmo ter noção da extensão de seu significado e inconscientemente, levamos a mente a acreditar que somos capazes de enxergar em outro, alguém melhor e capaz de solucionar problemas, sem termos a mínima noção de que somente nós seremos capazes de alterar este ciclo vicioso de a cada 4 anos, depositarmos esperança em outro, seja lá quem for.
Nesta manhã chuvosa, penso que o que precisamos é exigir de quem se encontra no poder de nossas cidades, que pare de nos dar esmolas e comece a agir, não fazendo milagres, mas reunindo o seu pessoal e conscientizando-os de que, precisam compreender que, quem determina somos nós, povo humilde, mas não abobalhado, que já está cansado de encontrar no convívio com a coisa pública, indiferença e pouco caso.
E eu vou começar, dando o primeiro passo, lembrando ao Secretário de Infra Estrutura, seja ele quem for, que é inadmissível que não haja no mínimo boa vontade em atender as mínimas solicitações, que atravessam os verões e não são consideradas.
Lembrando a ele que é indigno, eu ter que depender de sua simpatia para receber alguma atenção.
Da mesma forma, creio que devo lembrar as autoridades policiais que esta é uma cidade que precisa de ações efetivas, que nos garantam um mínimo de segurança, pois é inadmissível em um momento de aflição, ter que ouvir que não há viaturas, policiais e até gasolina.
Não posso esquecer que se eu não puder pagar minhas contas sejam públicas ou privadas, serei punida de alguma forma. Então, porque continuar, aceitando as desculpas públicas de que não podem isto ou aquilo, enquanto, usufruem sem nenhum ônus, de seus cargos e das inerentes vantagens oriundas deles?
Confesso que ando desolada, pois me sinto violada nos meus mais básicos direitos.
E você, não?



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