quarta-feira, 4 de novembro de 2026

DEU BRANCO

Pois é, são quase nove e trinta desta manhã que, safada, se apresenta nublada e chuvosa, bem diferente dos dias anteriores de sol radiante. Cá estou desde bem cedinho tentando escrever, mas nada surge em minha mente. Que coisa, viu!
Rodo o dedinho no mouse para ver se encontro uma palavra ou uma imagem que aperte o meu gatilho. Até agora nada consegui. Penso que talvez minha mente esteja cansada ou, quem sabe, alguns dos meus neurônios estejam fragilizados com esta alternância do clima. Afinal, viver quatro estações a cada dia é apenas para os fortes, e não para mim, que vim do sol constante e glorioso da Bahia.
E por falar em Bahia, como não lembrar das delícias desta terra bendita? Impossível! Neste instante, vejo diante dos meus olhos lindas flores amarelas, tremulando com seus finos, mas resistentes galhos na paisagem. Não tenho como deixar de reconhecer que, assim como elas, sou também muito resistente às intempéries.
Cruz credo! Que mulher é esta?
Então, sorrio pelos ventos que testam a minha resistência, pelo frio que estimula o meu calor interno, pelo sol que me aquece e me conforta depois dos tentadores arrepios e, finalmente, pela chuva que me banha e refresca. Será apenas consolo de uma mente criativa ou de uma alma apaixonada, sempre grata por simplesmente existir, mesmo como agora, sem inspiração?
Regina Carvalho, 4 de novembro de 2026.
Pedras Grandes, SC.



Ilustração- IA

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