segunda-feira, 2 de novembro de 2026

CIRCO DOS HORRORES - Capítulo 3

Pois é, hoje acordei me sentindo mais crítica do que nunca, questionando tudo que surge diante de mim. Só percebi esta mudança matinal quando, ao abrir o Facebook, lá estava um comentário de alguém questionando grosseiramente, e do nada, uma postagem dentre tantas outras que publico diariamente. Geralmente eu reajo a elas, inclusive deixando um coraçãozinho, por compreender que discordar é saudável.

Pois é, hoje reagi diferente, devolvendo o questionamento dentro dos limites do respeito e da educação. Todavia, observei de imediato que algo estava acontecendo comigo, afinal, meu senso crítico começa cognitivamente.


Terei sido picada e contaminada com o vírus da discórdia? Ou, antes, num misto de preguiça arrogante, comodismo, educação e indiferença, fui aceitando, inclusive nos relacionamentos pessoais dos meus cotidianos, o que verdadeiramente me ofendia e violava os meus mais sagrados valores?

Passei minha vida estudando, pesquisando, avaliando e escrevendo sobre hipocrisia e ética e hoje, neste instante, me pergunto se, na realidade, todo este esforço não tenha sido uma busca pessoal por um maior entendimento de minhas próprias reações.

Dou-me conta, então, de que fiz de mim meu próprio laboratório de aperfeiçoamento e que talvez, neste amanhecer, finalmente eu esteja sendo bacharelada no curso de sobrevivência e trato humanitário. 

Recebo razoáveis notas nesta conclusão de curso, onde confesso que ralei muito para poder mandar, sem culpas e sem medos de castigos, para o quinto dos infernos, todo aquele que se fez de besta comigo.

Feriram conscientemente meus dias, desconsiderando a minha fidelidade, a minha dedicação e, principalmente, o amor que exalava de minhas atitudes. Tudo por ciúmes, inveja, despeito ou simplesmente arrogância.

Agora sim, sinto-me preparada para pensar e escrever sobre temas esquecidos ou camuflados com os véus da conveniência ou da religiosidade e, por consequência, desmascarar a todo aquele que, em nome do seu direito de ser e de pensar com consequente julgamento, de mim se aproximar.

De repente, também me dou conta de que preciso ficar ainda mais atenta para não atuar neste circo dos horrores, continuando, apenas por falta de alternativas, sentadinha na arquibancada que cerca este picadeiro de excentricidades travestidas de normalidade social.

Vivendo e aprendendo. Não é à toa que se diz: A vida, quando bem observada, é a mais completa universidade que um ser humano pode cursar.

Que coisa, viu!

Regina Carvalho - 1.11.2026 - Pedras Grandes, SC

Ilustração - IA

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