quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

SERTÕES E DESERTOS

Depois de ler pela milésima vez as citações contidas em Meditações, de Marco Aurélio, e por causa dele ter-me apaixonado pela filosofia estoica, naveguei em busca de mais conhecimentos em outros maravilhosos pensadores, como Sêneca, Epicteto e Zenão de Cítio, seu fundador. Este último propunha uma filosofia baseada na virtude, na razão e na aceitação do destino como caminho para alcançar a paz interior, tendo como foco aquilo que está sob o nosso controle, que são: pensamentos e ações  e a aceitação serena daquilo que não está.

Claro que esta é uma definição simplista; todavia, foi através desse conhecimento antigo que fui trazendo reflexões para o aqui e agora da minha existência. Como foi dando certo, insisti nas adaptações em mim mesma e aqui estou: inteira, ainda entusiasmada, aplicando fervorosamente as suas orientações.


Daí, escrevo sistematicamente tudo aquilo que já testei e aprovei em termos comportamentais, desejosa de que aquele que venha a ler-me seja contagiado pelo vírus das transformações pessoais. Porque, afinal, é extremamente compensador.

Todavia, não pensem que se trata de uma tarefa fácil. Somos contaminados ainda no ventre materno por descargas emocionais, por vezes absolutamente perversas, que nos abalam e fragilizam, tornando-nos reféns de inutilidades emocionais que, além de nos fazerem perder tempo precioso de vida, são capazes de nos adoecer, nos matar ou até nos levar a matar.

Nossos corpos, da cabeça aos pés, funcionam como couraças que, aos poucos, vão-se desgastando, criando rachaduras por onde passam, tanto para dentro quanto para fora, todas as dicotomias vivenciais que minam e, consequentemente, descaracterizam a nossa originalidade, que, a priori, é adequada a um convívio interno e externo harmonioso.

Este texto tem como objetivo estimular você, que me lê, a não deixar esta vida que é incrível, passar sem ao menos tentar caminhar pelos desertos e sertões de si mesmo. Sem culpas e sem medos, mas com o propósito de reconhecer-se um pouco além do óbvio, descortinando os óbvios ao seu redor: nem sempre agradáveis, mas possíveis de serem contornados.

E assim, ir-se tornando surpreendentemente mais leve para si próprio e para os demais, priorizando a sensibilidade contida na compreensão de que nem tudo podemos alterar, além de nós mesmos.

“Aquele que não transmite luz cria a sua própria escuridão.”

Marco Aurélio

Regina Carvalho – 05/02/2026

Pedras Grandes – SC

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