...e, como acontece principalmente nos últimos anos, digo à minha mente que não escreverei, já que, como todo mortal, preciso de descanso. E aí, morrinho para sair da cama, tento, com afinco, criar uma outra rotina para os meus hábitos. Chego até a mudar a ordem do café, invertendo as prioridades e optando primeiro pelo iogurte.
Rapaz, que dificuldade…
Em dado momento, após ler e responder às muitas mensagens, algumas tão comoventes que me fazem deixar rolar lágrimas de alegria e gratidão, convenço-me de que não depende da minha vontade escrever ou não.
Imediatamente, olho para a tela e, como quem não quer ou não tem nada de específico para ser escrito, desvio o olhar e o deixo repousar entre o verde variado diante de mim. E penso que só mesmo os insensatos são capazes de crer que conseguem, de uma forma ou de outra, sozinhos, tocar com certa magia de luz e amor os corações alheios.
Não pensem que o egocentrismo baixou em mim, extrapolando os limites da vaidade pessoal. Isso não. Apenas expresso a minha gratidão aos seres superiores desta vida incrivelmente bela e rica, reconhecendo que sou uma pessoa privilegiada, a quem foi determinada uma maravilhosa tarefa existencial: conseguir, com letras, formar ideias que se tornam elixires de amor, liberdade e paz e, assim, de certa forma, tocar levemente os demais e ainda ser merecedora de retornos preciosíssimos.
E aí, de volta à telinha do notebook, lembro-me das pessoas mais que especiais que, nos momentos cruciais da minha longa jornada, quando as minhas certezas viraram-me as costas, lá estavam. Algumas mal me conheciam, mas, ainda assim, abriram-me portas e janelas de amparo e oportunidades, mantendo, com as suas generosidades para comigo e minha família, o único sentimento estruturante de qualquer ser humano: a esperança.
Esperança que alimenta a autoconfiança, que, por sua vez, é a mola propulsora da vida que, muitas vezes ferida, teria sucumbido sem as suas benditas interferências.
Neste domingo, esta consciente sobrevivente, que tendo armazenado no banco da sua memória um abastecido e rico celeiro de amor, só consegue escrever sobre gratidão a todos que, em silêncio, ofereceram o melhor de si mesmos.
Obrigada a todos do passado e do presente, seguida de um pedacinho da paz que fui economizando para que, em momentos do meu quotidiano, superando o cansaço ou a preguiça, eu pudesse ofertar, apenas como retribuição pelo muito que jamais me faltou.
Regina Carvalho
01.02.2026 – Pedras Grandes / SC

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