segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

QUE COISA, VIU!!!

Olho-me no espelho enquanto escovo os dentes e penso no quanto, de uns dias para cá, me sinto macambúzia. Alguém sabe o que significa?

Vou explicar. (kkk)

O termo refere-se a alguém desanimado, cabisbaixo, muitas vezes inclinado ao silêncio. É sinónimo de sorumbática, tristonha ou pesarosa.

Que coisa, viu!!!


Afinal, para quem geralmente acorda sorrindo e só enxerga belezas em tudo e em todos, como pode estar se sentindo, digamos assim, tão melancólica?

É comum que as pessoas, de um modo geral, não enxerguem naqueles que escrevem, pintam ou representam, um ser humano capaz de sentir as aflições que este mundo, incansavelmente indutivo, estimula.

Vez por outra, bate uma sensação de inutilidade, como se a minha existência nada mais significasse, já que não estou mais no combate diário do ganhar para ter. E então, não tenho para onde fugir, além de continuar escrevendo, para que a situação não piore ainda mais.

Escrevendo, vou amortecendo a mente dos sucessivos golpes que as inversões de valores assimiladas até então, me impõem no convívio diário.

Os bombardeios são contínuos, disparados de todos os lados. Para pessoas despertas como eu, ignorá-los é quase impossível. Assim, ficar macambúzia e um tanto pesarosa talvez seja até normal, afinal, sou feita da mesma matéria, sujeita às intempéries e às frustrações deste mundo louco.

Um mundo onde homens se preparam para, no próximo dia 6/2, irem ao espaço em busca da Lua e do encontro com o infinito, enquanto esses mesmos homens são capazes de matar o vizinho por antipatia. Onde jovens e adultos espancam e matam animais indefesos, e juízes de todas as instâncias fingem-se cegos e surdos para, confortavelmente, permanecerem calados diante dos absurdos produzidos pela política manobrista.

Se fosse só isso, ainda estaria razoável. Pior é a fome, o lixo em cada esquina e a aceitação de um tudo invertido por uma humanidade vampirizada.

Escrever sobre o belo e o justo dá-me força para não sucumbir. E, vez por outra, fazer da escrita um desabafo ajuda-me a não precisar fingir que tudo vai bem o tempo todo.

“Ainda estou aqui”, sem Óscar, mas, mesmo assim, adorando a vida.

Regina Carvalho

02/01/2026 – Pedras Grandes (SC)

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