Pular para o conteúdo principal

NOVAS EMOÇÕES

Mais um ano está por terminar e, é claro, que absolutamente condicionada, sou induzida a uma retrospectiva, assim como a projetar-me em novos planos, tendo como cenário um novo ano, que deixa de ser apenas mais um número para se transformar em um foco fascinante de novas perspectivas.


Em contraponto a todo o êxtase que os fabulosos planos futuros possam me causar, sempre existirão duras realidades com as quais terei de continuar a conviver e onde, infelizmente, não poderei dispensar, porque afinal fazem parte do permanente cenário ou invólucro no qual estou inserida, seja por vontade própria ou não, ou talvez mesmo não sendo de minha vontade, está inserido em algum projeto com o qual eu me sinta absolutamente envolvida, e aí, bem... fazer o quê? Não é mesmo?

Pois é... enquanto me projeto para um futuro que começa daqui a três dias e nele mergulho despreocupada como se estivesse me banhando em águas claras, mansas e mornas como as que tenho pertinho de mim em Ponta de Areia, deixo de pensar no aqui e agora, que confesso, anda me aborrecendo sobremaneira [ah! será que ainda alguém usa essa expressão?].

Pois bem, digamos que ando muito aborrecida com o fato concreto de a cada instante constatar absorta que as “coisas” estão diferentes e que, por experiência, sei que amanhã estarão mais ainda, e que eu preciso correr para não perder o trem das alterações comportamentais, pois nessa certeza que alucina, reconheço em mim uma quase total incapacidade assimilatória, o que me assusta e faz sofrer.

Penso, então, nos novos planos, procuro esquecer a bagagem vivencial que possuo, imagino-me tão somente recomeçando, mas, ainda assim, não posso evitar as constatações com as quais preciso urgentemente me adequar, para não me sentir um ET, uma velha coroca ou uma peça de museu.

- Cruz credo, dona Regina!

Falo comigo mesma na esperança de espantar esse sentimento de “já era” que o sistema insiste em imprimir em todo aquele que teima em permanecer com seus hábitos e costumes referentes ao seu tempo que, cá prá nós, precisa se atualizar, se bem que não precisa ser literalmente, pois fatalmente ficaria ridículo, mas pelo menos que seja um mais ou menos possível não só de encarar como de demonstrar.

Pois é... em meio a este turbilhão de emoções velhas e novas, vejo-me escrevendo e penso então que não tenho idade, tão pouco sexo, tão pouco época, sendo tão somente um ser que pensa, e aí, segundo Descartes, existe, e segundo eu, existe apaixonada por tudo, até mesmo por tudo quanto não concorda, já que por conclusão lógica, deduzo que não haveria desejos diferenciados, mudanças posturais desconcertantes, evoluções de qualquer espécie não houvessem os contrários ou, no mínimo, os diferentes.

E aí, penso nos negros, nos brancos, nos heteros e nos homossexuais, penso no bonito, no feio, no perfeito e no defeituoso, penso no mar, nos lagos e na primavera, sem esquecer as nuvens, as tormentas e o inverno.

Faltam somente três pequenos e superáveis dias, penso, assim, que por enquanto estou viva e isto é tudo quanto verdadeiramente importa, porque todo o restante vivido ou a viver é apenas detalhe, adorno ao já magnífico.

Que 2012, que há décadas atrás nada nos representava ao ponto de projetá-lo somente através da ficção e que hoje, por estarmos existindo, já parece uma realidade, permaneça sendo apenas um solo fértil onde possamos semear nossas intenções através de atos diários de respeito uns aos outros, formando uma corrente vibracional, coisa pensada por gente como eu, repleta de bagagem, mas ainda com forças e muito entusiasmo para aprender e vivenciar novas experiências com suas surpreendentes emoções.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?

Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.
Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.
Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.
E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.
Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, a…

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem com…