sábado, 2 de maio de 2026

CANSAÇO...

De repente, olhei ontem para o notebook e, pela primeira vez depois de muito tempo, não quis utilizá-lo para escrever o meu texto. Hoje, novamente, senti essa sensação de cansaço, mas aí pensei: não posso continuar a ceder. Preciso lembrar-me do quanto me faz bem tecá-lo, deixando fluir palavras que são só minhas. Através delas, deixo falar minha mente, podendo burilá-la até que fique adequada a uma convivência mais harmoniosa com minhas emoções, sempre muito agitadas e também confusas, geralmente misturando sentimentos com a bendita razão.


Aceitar a minha imperfeição sem culpas é doído, já que desenvolvi a capacidade de atrair para mim a responsabilidade de tudo quanto se desenrole diferente do planejado, fazendo de mim um pêndulo determinante do certo e do errado.

Impossível manter a paz mental com tal responsabilidade. Afinal, é preciso entregá-la, vez por outra, às circunstâncias que nem sempre é possível prever e moldar sem qualquer aresta.

Descobri, e já faz tempo, que ao escrever sobre o já vivido, eu aliviava o que estava vivendo e garantia forças e esperanças no que ainda poderia vir a viver, programando-me sem pressa e sem pressão. Esta é uma forma simples e descomplicada de olhar para as minhas ações e reações, sem culpas por não ter enxergado o óbvio que deixei passar sem a devida avaliação, e sem presumir que o que estava vivenciando fosse castigo pela falha cometida.É certo que as consequências existem; portanto, encará-las como aprendizado cria uma estruturação mais consistente, lúcida e, ao mesmo tempo, consoladora. Afinal, ter a capacidade de mudar o que não correspondeu ao ideal é, e será sempre, um bálsamo que abre portas mentais de incentivo a novas oportunidades de fazer diferente.

Deduzo que o que senti ontem foi um profundo cansaço que ainda me ronda neste amanhecer. Todavia, uma coisa é certa: a fraqueza da inércia jamais permitirá que o desânimo me invada e se estabeleça no meu todo de criatura humana criativa, com um baú ainda repleto de controvérsias que esperam ser adequadamente ajeitadas neste meu histórico de vida longa, repleto de emoções e sentimentos. 

Então, cá estou, mesmo ainda cansada, me despindo e esperando provocar amorosamente em você que ora me lê o desejo de também despir-se de alguma emoção que, represada, lhe incomoda, tirando o brilho da sua existência que, por si só, é tudo de bom. E aí, como não lembrar de Roberto Carlos: "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu senti"...

Regina Carvalho- 2.5.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração- IA

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