Aprender praticando tem sido o maior exercício que desenvolvi em minha vida, pois compreendi muito cedo que, em determinadas funções como no ramo das comunicações, a teoria é um suporte selecionador de caminhos a serem percorridos, amparando com a lógica dos conhecimentos acumulados.
Todavia, a prática é e sempre será um desafio, já que os conhecimentos precisam ser adaptados às realidades, exigindo atenção, observação, análise e, acima de tudo, coragem na aplicação do intuitivo, daquilo que não está previamente definido.
Considerei, desde sempre, o inesperado como estímulo: nele é possível trazer à tona, com características pessoais, tudo quanto foi assimilado durante o aprendizado.
E aí, na quietude de minha cabana nas montanhas, é impossível não reviver minha trajetória, avaliando erros e acertos, despida de culpa ou arrependimento, pois em cada movimento da minha vida jamais copiei características em minhas atitudes; deixei-as expressarem a originalidade dos meus entendimentos.
Será esta a razão da minha constante paz interior, mesmo quando meus castelos muitas vezes utópicos, foram construídos em areias movediças e, portanto, desmoronaram?
Seria a conscientização, ainda que não plenamente consciente, de que, mesmo perdendo, havia ali a presença clara da construção?
Afinal, fui e realizei.
Não seria esse o maior sacerdócio humano: exercitar-se na busca incessante da construção de si mesmo?
O que sei é que jamais cruzei os braços na inércia do medo diante do desconhecido. Fiz dele escudo e propósito, não para me sentir superior, mas simplesmente pelo gosto agradável e sempre único de realizar.
Lambi os beiços e disse amém tantas vezes que acabei me viciando. E cá estou, quebrando a cabeça para finalizar as etapas técnicas de um novo livro que, confesso, está muito mais difícil de concluir do que foi escrevê-lo.
Insisto e não desisto, sem medo de dizer: “Não sei”, buscando ajuda junto aos que sabem.
Simples assim.
Regina Carvalho
25.02.2026
Pedras Grandes – SC

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