Acordei neste sábado de fevereiro sentindo-me a tal. E por que não? Se o bom dia da vida sempre foi especial, independentemente de qualquer outro fator inerente ao meu cotidiano, nem sempre colorido e perfumado.
Eis a bendita formação estoica que recebi na infância e que, ainda hoje, pauta a minha autoestima, conduzindo-me ao reconhecimento do milagre que represento.
Ensinaram-me, na prática, os princípios básicos de sua aplicação, que nem sempre foi fácil absorvê-la e muito menos mantê-la ativa em minhas posturas. Afinal, a força do sistema tem as garras de um tigre e a astúcia de um coelho, iludindo e confundindo, mostrando caminhos nem sempre adequados.
Mas ainda estou aqui. Acordando cedinho, como ainda há pouco, só para ver o dia amanhecer, os grilos partirem, a neblina se dispersar e o gado, ainda preguiçoso, deitado sobre a relva do verde pasto.
Aprendi a não temer a disciplina, fazendo dela uma fiel aliada na execução das minhas atividades, buscando imprimir em cada uma delas o meu toque racional e ético, não para ser a Regina perfeita, mas íntegra em minhas responsabilidades.
Assim, deixo sobrar tempo hábil entre elas e nelas, para verdadeiramente me sentir livre em um mundo onde me reconheço existindo como um autêntico milagre.
Sinto-me um lindo milagre que sobrevive até hoje, após longa e nem sempre fácil caminhada. E ainda sonho que esses mesmos ensinamentos cheguem aos lares e às escolas. Porque, afinal, só um ser que se enxerga como milagre é capaz de enxergar o outro como tal.
E então, não magoa, não fere e muito menos destrói a si mesmo, nem ao tudo mais que o cerca.
Regina Carvalho
14.2.2026 — Pedras Grandes, SC

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