...trazendo como bagagem ideias e ideais, mergulhei de cabeça na vida sem nada mais dela esperar, além de um espaço onde eu simplesmente pudesse ser o que sentia ser: apenas um ser humano querendo viver.
Mas o que seria viver?
Por que eu sentia que viver não poderia ser apenas o que, até então, haviam-me apresentado?
Ainda garota, arregacei as mangas, descalcei os sapatos, respirei fundo e me deixei mordiscar pelas piabinhas do riacho, banhar pelas águas fortes e gélidas da cascata. E, ali, definitivamente compreendi a importância dos arrepios que ambos me provocavam.
Emoções. Vibrações. Um gozo intenso, mais que físico, emocional, capaz de levar-me aos céus, mesmo com o corpo fincado na terra.
Mais que o comum: especial.
Menos seguro, mas extraordinário.
Com a cara e a coragem, contornei as pedras do caminho que o poeta Drummond eternizou.
Com as coxas brancas e o corpo nu do Poema 20, de Neruda, escancarei-me para que a vida me fecundasse.
Passo a passo, fui lançando a casca dourada e inútil das horas pelos caminhos que Mario Quintana sabiamente registrou.
Enquanto isso, nas mil andanças, enriquecia a minha própria bagagem com o mais sublime amor.
Com a cara e a coragem, desembarquei na vida.
E dela partirei, quando, eu não sei.
Tudo o que sei é que, de bagagem, levarei apenas o que encontrei:
um pote transbordando de incríveis emoções.
Regina Carvalho- 8.2.2026 Pedras Grandes SC

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