quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

QUE PENA…

Ontem à noite, enquanto aguardava na fila das prioridades a minha vez de ser atendida, observei que havia mais duas filas para gente “normal”. Sim, isso mesmo, porque no Brasil gente velha deveria desaparecer tão logo surgissem os escandalosos sinais dos cabelos brancos e, então, seriam considerados inúteis e descartáveis, pois só atrapalham.

Ficam à mercê, principalmente dos negacionistas aqueles que pintam o cabelo, esquecendo que o restante está despencando, colocam-se nas filas dos ainda jovens e não se conformam com essa tal lei que prioriza idosos, gestantes etc. e tal.


Quase apanhei de um senhor de cabelos tingidos de preto, que se sentiu ofendido quando a atendente fez sinal para que eu me aproximasse do caixa.

Sendo uma mulher notoriamente educada e conciliadora, imediatamente recuei e ainda pedi desculpas, pois tenho consciência de que a maré da violência não tem hora nem lugar para acontecer.

Todavia, minha filha, jovem, acostumada a defender sem constrangimentos os seus direitos, pediu que eu retornasse. E aí, entre as reclamações do pseud. jovem de 61 anos (ele fez questão de mencionar, apesar de as rugas o desmentirem) e a braveza defensória da também gestante e linda Anninha, de 38, lá estava a Regininha, de 76, sem saber aonde se esconder.

Obviamente, senti-me primeiro exposta publicamente e, em seguida, violada nos meus parcos direitos como cidadã de um país pobre em parâmetros educacionais.

Enquanto isso, os funcionários que deveriam estar treinados para explicar ao cidadão as regras da formalidade legal, permaneceram como plateia desse exibicionismo medíocre também de responsabilidade do diuturno BBB Global, que estimula baixarias de forma contínua, persistente e incessante, de segunda a segunda, nos últimos dez anos, popularizando o pauperismo voyeurismo da decadência.

Deduzo, portanto, que para eles esse horror já seja “normal”.

Pois é… ainda há quem não entenda por que prefiro morar numa cabana isolada nas montanhas.

Lá, sou amiga íntima do Rei, na minha Passárgada particular, que jamais se importou com a minha idade, cor ou posição social, acolhendo-me desde a mais tenra infância, sempre com respeito.

O Brasil sempre teve as entranhas adoecidas e, como não foram devidamente tratadas, hoje a chaga está exposta. E, como só recebe paliativos enganadores, as feridas purulentas tornam-se a cada dia mais feias e malcheirosas, contaminando tudo o que encontram.

E ainda esperam, ética e decência na política, nas Igrejas, na justiça ou seja, lá aonde for.

Que pena… tudo poderia ser bem diferente…

Regina Carvalho — 4/2/2026

Pedras Grandes, SC

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