Infelizmente, a história conta os fatos, mas não os mastiga com lógica e isenção suficientes para oferecer uma conclusão nítida que as pessoas, especialmente os jovens nas escolas e universidades, possam assimilar e, então, buscar o caminho mais sensato e justo a ser tomado em uma escolha eleitoral.
Na minha modesta opinião, o Brasil, assim como qualquer outra nação que se intitula democrática, precisa não de pais ou mães nacionais, mas de homens e mulheres que honrem seus postos de liderança, corrigindo toda e qualquer distorção que possa prejudicar a plenitude dos direitos de cada cidadão.
Cargos públicos não são prêmios a serem desfrutados, mas empregos temporários que devem ser honrados. Nada que seja oferecido ao povo sob o nome bonito e impactante de “políticas sociais” pode transformar-se em celeiro paralelo de abusos.
Ações sociais em favor dos vulneráveis sempre serão necessárias para o atendimento imediato do cidadão em situação precária. Porém, transformar esse cidadão em dependente perpétuo do Estado é convertê-lo em refém do sistema,uma forma silenciosa de aniquilação social.
Crianças, doentes e idosos precisam de amparo constante; jovens saudáveis precisam de estímulos temporários para buscar suas próprias soluções. Transformar cidadãos em penduricalhos sociais reforça neles a insegurança, a inércia e o oportunismo, além de gerar uma gratidão distorcida por direitos que já lhes pertencem, muitas vezes corroídos pela corrupção crescente e voraz.
O Brasil dispõe do SUS que, se não fosse tão dilapidado, poderia ter hospitais proporcionais às demandas, bem aparelhados e com profissionais valorizados. A educação, se não fosse sistematicamente desviada, já teria alcançado uma qualificação digna de respeito, pois estrutura física é necessária, mas qualidade operacional é absolutamente fundamental.
A segurança pública poderia ser eficiente se houvesse política integrativa entre instituições, planos operacionais coerentes, profissionais bem remunerados e equipados, para que não precisassem se corromper ou morrer por nada que justifique a mediocridade de certas ações.
Ao longo dos meus muitos anos vividos, vi meu país andar como caranguejo, quando tem pernas, fôlego, talentos e riquezas para estar entre as maiores potências mundiais. Todavia, enquanto uns crescem, nós nos contentamos em aplaudir e defender nossos próprios carrascos, agarrando exemplos pontuais que emocionam corações e justificam o indefensável.
Convencemo-nos de que somos grandiosos porque temos o maior carnaval do mundo, a maior floresta do mundo, esquecendo absurdamente que também temos uma das maiores pobrezas do mundo que cresce na mesma medida em que cresce a população.
Basta olhar os índices de 1970 até hoje. Mas quem se dará a esse trabalho? E quem, como analfabeto funcional, compreenderá a extensão do nosso declínio?
Quando os valores que sustentam uma sociedade são relativizados e vilipendiados, quando deveriam ser adaptados sem serem destruídos e ainda inseridos em motivações eleitoreiras, nada mais se pode esperar senão a barbárie que já se apresenta sem disfarces.
Discutir se a grama é verde ou azul apenas nos torna perpetuadores do ostracismo pátrio.
Sou apenas uma cidadã que ainda consegue diferenciar o joio do trigo.
Regina Carvalho
22/02/2026 – Pedras Grandes, SC

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