Perdi o texto
como quem perde um instante,
fugiu de mim
e dissolveu-se
no espaço invisível do virtual.
Não foi o primeiro,
não será o último.
Antes, chorei a distração,
revoltei-me contra mim,
mas aprendi, tarde, talvez
que perseguir o perdido
é desperdiçar o agora.
O tempo passou por mim
sem olhar para trás,
e eu, tola,
fazia pausas longas
tentando resgatar
o que já não me pertencia.
Ensinaram-me a dizer adeus
às pessoas,
à morte,
às partidas inevitáveis.
Mas esqueceram-se de me ensinar
a despedir-me
das conquistas,
das traições,
das frustrações
que me fizeram crer
que sem elas
eu não sobreviveria.
Ledo engano.
Enquanto eu lamentava,
o tempo veloz e indiferente
seguia,
sem me esperar.
Então, sigo também.
Bola para a frente.
O que não posso remediar
fica no passado,
e o presente nasce
no exato momento
em que recomeço.
É preciso aprender a dizer adeus.
Até ao amor,
quando, por qualquer razão,
se perde do tempo
e fica pelo caminho
como uma lembrança
que já não dói, apenas ensina.
Regina Carvalho- 7.2.2026 Pedras Grandes SC

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