sábado, 7 de fevereiro de 2026

ADEUS

Perdi o texto

como quem perde um instante,

fugiu de mim

e dissolveu-se

no espaço invisível do virtual.

Não foi o primeiro,

não será o último.

Antes, chorei a distração,

revoltei-me contra mim,

mas aprendi, tarde, talvez 

que perseguir o perdido

é desperdiçar o agora.


O tempo passou por mim

sem olhar para trás,

e eu, tola,

fazia pausas longas

tentando resgatar

o que já não me pertencia.

Ensinaram-me a dizer adeus

às pessoas,

à morte,

às partidas inevitáveis.

Mas esqueceram-se de me ensinar

a despedir-me

das conquistas,

das traições,

das frustrações

que me fizeram crer

que sem elas

eu não sobreviveria.

Ledo engano.

Enquanto eu lamentava,

o tempo veloz e indiferente 

seguia,

sem me esperar.

Então, sigo também.

Bola para a frente.

O que não posso remediar

fica no passado,

e o presente nasce

no exato momento

em que recomeço.

É preciso aprender a dizer adeus.

Até ao amor,

quando, por qualquer razão,

se perde do tempo

e fica pelo caminho

como uma lembrança

que já não dói, apenas ensina.

Regina Carvalho- 7.2.2026 Pedras Grandes SC

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