segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

MINHA VIDA MEDIÚNICA

"É a história de uma mulher chamada Hilda Roxo que liderou, empreendeu, escreveu, ensinou, amando profundamente tudo que fazia e ainda, preparou outra mulher, no caso eu, sua sobrinha, numa época que não estava pronta para isso."Minha eterna gratidão".

Acabei de reescrever a vida de Hilda Roxo o que foi para mim, mais do que organizar memórias ou registrar acontecimentos. Foi um mergulho inevitável na minha própria história.

À medida que revisitava os seus sofrimentos, as perseguições, as incompreensões e as solidões impostas justamente por aqueles que estavam mais próximos, via-me refletida em muitos desses episódios. Não como comparação vaidosa, mas como espelho doloroso.

👇👇👇👇 Capa criada pela IA


Quantas vezes o amor que orientava as suas escolhas foi interpretado como obstinação?

Quantas vezes a fidelidade à própria consciência foi confundida com afronta?

Quantas vezes a entrega foi recebida como ameaça?

Ao escrever, fui percebendo que tanto ela quanto eu experimentámos a estranha condição de sermos julgadas não pelos nossos erros, mas pela coerência, fidelidade, ética e determinação. Como se ser fiel ao que se acredita, como se agir por amor, como se manter íntegra diante das pressões, dores, mágoas e frustrações, fosse motivo de contínua punição.

Há uma dor silenciosa que nasce quando aqueles que deveriam compreender são os primeiros a ferir. Não por maldade consciente, talvez, mas por medo, insegurança ou incapacidade de enxergar o amor que sustenta certas decisões.

Hilda suportou perdas materiais, perseguições públicas e humilhações. Mas creio que as dores mais profundas foram as que nasceram da incompreensão afetiva. E, ao reconhecê-las na sua trajetória, fui também reconhecendo as minhas próprias cicatrizes.

Ainda assim, nem ela nem eu escolhemos o caminho da amargura.

Se algo aprendi ao reescrever a sua vida foi que o amor verdadeiro não negocia a própria essência. Ele pode ser ferido, pode ser rejeitado, pode ser mal interpretado, mas não deixa de ser amor. E é justamente essa permanência que nos fortalece.

Hilda ensinou-me ainda criança, que a coragem não está apenas em enfrentar o mundo, mas em continuar amando quando o mundo responde com dureza. Que a fé não é fuga da dor, mas decisão consciente de não permitir que ela nos desfigure.

Ao concluir estas páginas, sei que não apenas contei a história de uma mulher extraordinária. Contei, também, a história de um aprendizado íntimo: evoluir como ser humano é manter-se amorosa sem tornar-se frágil, firme sem tornar-se amarga, fiel sem tornar-se rígida.

Se ser fiel e amorosa trouxe punições, mas trouxe também lucidez. E essa ninguém nos pode tirar.

Que esta obra não seja apenas memória, mas testemunho de resistência, de coerência e, sobretudo, de amor.

Com respeito e verdade,

Regina Carvalho- 2026

 23.2.2026  Pedras Grandes SC


Nenhum comentário:

Postar um comentário

MINHA VIDA MEDIÚNICA

"É a história de uma mulher chamada Hilda Roxo que liderou, empreendeu, escreveu, ensinou, amando profundamente tudo que fazia e ainda,...