domingo, 29 de março de 2026

O FARNEL DA REGININHA

Acordei sorrindo, aliás, como sempre. Afinal, só consegui nesta vida o que busquei; e como quis e busquei o "tudo de bom" que me desse prazer, consegui. "Buscai e recebereis" (Mateus 7:7).

Diante desta constatação irrefutável, penso no quanto dediquei minha vida a querer apenas o que era bom, o que exigiu de mim o reconhecimento do real e o palpável, o lógico e o sensato para o meu bem-estar. Para isso, precisei ser exigente, detalhista e, acima de tudo, seletiva. Entendi, desde sempre, que precisaria ser fiel aos meus sentidos, geradores das minhas emoções; e estas, para desenvolverem sentimentos, precisavam estar em total acordo com a minha mente ativa.



 


 

O QUE EU ACHO?

Na realidade, já não acho mais nada em relação ao que for, além do que sinto. E ultimamente tenho sentido tanto que, de certa forma, me anestesiei para continuar vivendo sem Anafranil, Lexotan ou outras coisas más.

Desenvolvi uma terapia pessoal que me permite continuar esperando, consciente ou não, como qualquer ser humano, a morte chegar. Para não sofrer em demasia o terror do enfrentamento do fim, entretenho-me como qualquer outro, aliviando a ameaça subjetiva das incógnitas: quando será, como será.


sexta-feira, 27 de março de 2026


 

"O Olhar da Escafandrista"

Por que será que, na medida em que mais me aprofundo na terceira idade, que pelas minhas contas já adentrou a quarta, estou ficando velha e, apesar deste fato incontestável, mais nitidamente enxergo o que dantes sequer percebia ou apenas desconsiderava?

Nesse instante, lembro com saudades do amado amigo Roberto Fialho. Em um dia qualquer de 2018, ambos de pé conversando na calçada diante do prédio da Rádio Tupinambá, disse-lhe que estava ficando velha e ele, sem papas na língua, respondeu: "Ficando velha!?...". O que nos levou a partilhar boas risadas, inclusive devido à minha não menos real e imediata resposta sobre nossas sexualidades que, aqui e agora, não convém a uma senhora polida relatar. Aliás, falar bobagens em meio aos assuntos sérios sempre foi a nossa prioridade, talvez, também por esta razão, estejamos longevos.


quinta-feira, 26 de março de 2026

DE QUE LADO, AFINAL?

Ninguém, nos últimos tempos, tem me perguntado de que lado político estou. Afinal, o rótulo da "Direita" foi tatuado em mim há muito tempo. Lembro-me de 2008, quando subi felicíssima pela primeira vez em um trio elétrico na minha querida Itaparica para apoiar a candidata Marlylda Barbuda, indicada pelo prefeito da época, Claudio da Silva Neves, carlista juramentado.

Juntos, amargamos derrotas, mas, como pessoas vividas, entendíamos que quando a esmola é demais, o santo deve desconfiar. Sabíamos que, se certas fórmulas não deram certo no passado, nem mesmo com Getúlio Vargas, não haveria de dar agora. As narrativas e as promessas eram as mesmas.


O FARNEL DA REGININHA

Acordei sorrindo, aliás, como sempre. Afinal, só consegui nesta vida o que busquei; e como quis e busquei o "tudo de bom" que me d...