Neste amanhecer nublado e friorento de um outono absolutamente esquisito, pelo menos para mim, cá estou buscando palavras que possam expressar a minha intolerância ao sofrimento, seja ele qual for. Não se trata de negá-lo, mas de não o aceitar, mantendo-o bem longe de mim. Percebi bem cedo que ser feliz é muito mais agradável, embora nada fácil, pois a felicidade alheia incomoda, gera inveja e, se bobear, mata.
Ainda assim, manter-me feliz me trazia um conjunto de sensações harmoniosas que imaginei ser a paz, principalmente após enfrentar as intermináveis dificuldades que o ato de viver apresenta. Como se não bastasse, há os obstáculos que nós, preciosos humanos, incansavelmente criamos, sei lá por quê. Algo inexplicável e ininteligível ao meu entendimento, talvez pelo fato de a vida ter me sido apresentada como um espetáculo a céu aberto.