terça-feira, 21 de abril de 2026


 

DEUS NO CÉU E O DIABO NA TERRA

Neste amanhecer, eu daria tudo para comer um pãozinho de sal, que por aqui chamam de pão de água, bem quentinho e com manteiga. É impossível, já que a padaria fica a uns quatro quilômetros, no centro de Pedras Grandes, e hoje ainda é feriado nacional. Resta-me tapear a vontade com o costumeiro pão de forma.

A vontade é tanta que, até agora, não consegui escrever sequer uma linha. Afinal, se não tem tu, vai tu mesmo. Essa velha expressão popular significa contentar-se com o que está disponível ou aceitar a segunda opção. É uma adaptação comum na minha vida e na da maioria dos brasileiros quando o assunto é o que se tem para hoje.


segunda-feira, 20 de abril de 2026


 

AMORES E VALORES: Razões que não se extinguem

Cinquenta anos se passaram desde que ajudei minha sogra, Zizita, a assar uma leitoinha para se tornar uma valiosa prenda a ser leiloada na quermesse da Igreja. Por aqui, chamam de festa da comunidade e os quitutes não são leiloados, mas vendidos em um almoço comunitário servido em mesas longas, num ambiente descontraído e solidário, onde sentam, lado a lado, amigos, vizinhos, parentes ou estranhos como eu, por exemplo.

Nesta festa beneficente em louvor a São Roque, organizada pela Igreja Católica, o foco é o mesmo: arrecadar fundos para obras sociais. São oferecidos bingos e sorteios, além de churrasco variado, saladas e um cardápio de acompanhamentos de primeira ordem.


domingo, 19 de abril de 2026


 

O GALO CANTOU...

Neste amanhecer que, sem pressa, ainda não surgiu no horizonte, eu e o galo recém-chegado à vizinhança esperamos, cada qual à sua maneira. Eu escrevo e ele canta, ambos na esperança de ver os primeiros raios de sol.

Esta é a primeira vez que o ouço e isso é simplesmente incrível. Desde que cheguei por estas bandas, pássaros e galos se mantiveram calados; apenas o gado do vizinho e os cachorros da redondeza serviam de consolo à minha solidão e saudades do cenário diferente da minha amada Itaparica, onde os pássaros faziam questão de ser meus despertadores matinais. Eles permaneciam comigo por todo o dia, atraindo minha atenção com cantos e travessuras. Não se contentando com o imenso quintal, vez ou outra invadiam a casa em voos rasantes que me encantavam e inspiravam.