segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026


 

Aleluia…

O dia acorda sem urgência. Espreguiça-se em tons pálidos, enquanto a luz aprende, pouco a pouco, a existir. São seis e dez. Segunda-feira. Fevereiro. E o Brasil dança, mesmo que eu observe de longe.

O Carnaval explode em cores, tambores e corpos livres. Eu fico aqui, à margem, confessando que apenas os desfiles me atravessam. Mangueira, amor antigo. Mocidade, simpatia permitida. Só a ela concedo o direito raro de vencer a minha verde e rosa.

Quando passam pela avenida, penso que também poderia estar ali: suando verdades, dançando excessos, gritando aleluias ao mundo como quem agradece por estar viva.


domingo, 8 de fevereiro de 2026


 

COM A CARA E A CORAGEM

...trazendo como bagagem ideias e ideais, mergulhei de cabeça na vida sem nada mais dela esperar, além de um espaço onde eu simplesmente pudesse ser o que sentia ser: apenas um ser humano querendo viver.

Mas o que seria viver?

Por que eu sentia que viver não poderia ser apenas o que, até então, haviam-me apresentado?

Ainda garota, arregacei as mangas, descalcei os sapatos, respirei fundo e me deixei mordiscar pelas piabinhas do riacho, banhar pelas águas fortes e gélidas da cascata. E, ali, definitivamente compreendi a importância dos arrepios que ambos me provocavam.


sábado, 7 de fevereiro de 2026


 

ADEUS

Perdi o texto

como quem perde um instante,

fugiu de mim

e dissolveu-se

no espaço invisível do virtual.

Não foi o primeiro,

não será o último.

Antes, chorei a distração,

revoltei-me contra mim,

mas aprendi, tarde, talvez 

que perseguir o perdido

é desperdiçar o agora.