terça-feira, 14 de abril de 2026


 

GERAÇÃO FODAÇA

Antes que me chamem de desbocada, o que não seria um erro, deixo claro que sempre apreciei a picância de um palavrão. Há momentos em que uma única palavra indevida resume tudo o que sinto, seja na alegria ou no caos.

Escrevo sobre a minha geração. Olhando para trás, constato que só esse palavrão sintetiza o que fomos: algo incrível, impressionante e de altíssima voltagem.

Fomos a geração onde os homens finalmente perderam o medo de expor a alma poética na música e na literatura. Enquanto isso, as mulheres rasgavam mordaças e quebravam correntes. Não pediam licença, buscavam liberdade.


PROVAVELMENTE...

Acordei pensando que o passar do tempo, não sei para você que me lê, mas pelo menos para mim, tem sido como um leque de novas possibilidades. Elas podem parecer limitantes, mas, se bem observadas, são na realidade fachos de luz que penetram pelas frestas da consciência e se expandem em minha mente. Esse processo altera minhas emoções, muitas delas antes condicionadas a uma tolerância desprovida de propósitos reais e produtivos.

Ontem, desisti de assistir ao Jornal Nacional e nem tentei qualquer outro. Por experiência, sabia de antemão que falariam dos mesmos assuntos noticiados ao longo do dia. Reconheço que, devido à busca pela sobrevivência da maioria, o conteúdo provavelmente seria inédito para muitos, embora, se analisado friamente, nada mais seja novidade.


domingo, 12 de abril de 2026

DOURANDO A PÍLULA

Pois é, pensando nesse amanhecer de domingo que se apresenta friorento e nublado, num inverno que apressado invade o outono sem pedir licença, cá estou pensando nas dourações das pílulas que de uns anos para cá, ao contrário de melhorar os relacionamentos de qualquer natureza, tem criado silenciosamente uma imensa desconfiança que se manifesta quase que instantaneamente, ferindo e até matando como se cada pessoa fosse uma navalha afiada.

Aos poucos, os naturais véus que eram necessários como preservação individual e respeito ao outro foram se tornando mais espessos com consequente rigidez, impedindo a passagem mais que necessária do bom senso avaliativo.


sexta-feira, 10 de abril de 2026


 

O DRAGÃO E O VIRA-LATA: O Abismo entre Metas e Migalhas

A recente aprovação de novos benefícios financeiros pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é o sintoma de uma patologia profunda. Ao observar esses privilégios, recordei-me de diálogos com o amigo Jeferson Borges Zon sobre a capacidade de desenvolvimento da China. É inevitável traçar parâmetros entre o Brasil e a potência asiática, embora a distância em cultura, educação e cidadania pareça nos separar por anos-luz.