quinta-feira, 16 de abril de 2026


 

SERÁ?

Dizem que quando ficamos lembrando ou sonhando constantemente com familiares falecidos é porque estamos nos aproximando da partida. Lembro-me de meu querido sogro que, em certo período, diariamente durante o café da manhã, relatava as lembranças do sono daquela madrugada. Enquanto isso, incansavelmente, minha sogra dizia: "Para com isso, Tião, ou logo estará se encontrando com eles". Todos riam, inclusive ele.

Coincidência ou não, meses depois, saudável e passeando em Brasília, viagem que ele programou com extremo cuidado, providenciando um conjunto de roupas novas para cada um dos dez dias que decidira permanecer na casa de seu sobrinho Eli Walter Couto e assim, ele aproveitaria para rever amigos de uma vida inteira. No quinto dia, ele simplesmente deitou-se, como de hábito, para uma rápida soneca após um churrasco e se apagou, deixando o mundo certamente mais pobre sem a sua delicada ternura.



 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

O AVESSO DA PERFEIÇÃO

Não sei você, mas vez por outra, ao longo de minha vida, fui tomada por um cansaço que denomino "existencial". Nele, tudo se apresenta dentro de uma certa e cômoda normalidade para o mundo, mas não para mim. A cobrança silenciosa de que tudo precisa parecer bem me exaure.

E aí, a Regininha teimosa reage. Deixo-me abater por um sono intermitente, uma preguiça impossível de controlar e um desejo ardente de não interagir com absolutamente ninguém. Para tal, reservo-me o direito de copiar as avestruzes, mantendo a cabeça enfiada na terra de mim mesma.


terça-feira, 14 de abril de 2026


 

GERAÇÃO FODAÇA

Antes que me chamem de desbocada, o que não seria um erro, deixo claro que sempre apreciei a picância de um palavrão. Há momentos em que uma única palavra indevida resume tudo o que sinto, seja na alegria ou no caos.

Escrevo sobre a minha geração. Olhando para trás, constato que só esse palavrão sintetiza o que fomos: algo incrível, impressionante e de altíssima voltagem.

Fomos a geração onde os homens finalmente perderam o medo de expor a alma poética na música e na literatura. Enquanto isso, as mulheres rasgavam mordaças e quebravam correntes. Não pediam licença, buscavam liberdade.


PROVAVELMENTE...

Acordei pensando que o passar do tempo, não sei para você que me lê, mas pelo menos para mim, tem sido como um leque de novas possibilidades. Elas podem parecer limitantes, mas, se bem observadas, são na realidade fachos de luz que penetram pelas frestas da consciência e se expandem em minha mente. Esse processo altera minhas emoções, muitas delas antes condicionadas a uma tolerância desprovida de propósitos reais e produtivos.

Ontem, desisti de assistir ao Jornal Nacional e nem tentei qualquer outro. Por experiência, sabia de antemão que falariam dos mesmos assuntos noticiados ao longo do dia. Reconheço que, devido à busca pela sobrevivência da maioria, o conteúdo provavelmente seria inédito para muitos, embora, se analisado friamente, nada mais seja novidade.