sábado, 8 de agosto de 2026

DESSA ÁGUA EU NÃO BEBEREI

Ir a um restaurante sozinha, talvez a uma sessão de cinema ou teatro. Entrar, todos os dias, num apartamento vazio, quem sabe com um cachorrinho esperando. Sem esquecer dos finais de semana, que é quando o bicho pega. Usa-se uma tal de solidão que transformam em liberdade, independência ou seja lá o nome que se queira dar, mas que, ainda assim, precisa de uns aditivos, terapias, bailinhos e piedosos convites de alguns amigos para ser suportada. No início, é ótimo por ser diferente. Com o passar do tempo, porém, a solidão começa a pesar. Então, entra a internet e a busca de parceiros nas plataformas de encontros e, nesse caso, a coisa pode complicar. Escrevo sobre este modismo que a Globo abraçou e mostra de forma colorida, onde todos estão felizes e realizados. 



 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

INVENTÁRIO EM VIDA

Acordei pela madrugada fechando um grosso caderno e logo o reconheci como um relatório gerencial e contábil definitivo que confronta receitas, custos e despesas para apurar o lucro ou prejuízo final de minhas atividades pessoais enquanto mulher, esposa, profissional e mãe. 

Olhei na lateral e pude perceber que havia vários cadernos que, ao longo da vida, improvisei, transformando-os em livros-caixa para registrar expectativas e frustrações, sorrisos e lágrimas, perdas e ganhos meus e daqueles a minha volta. 



 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

LIBERDADE?

Estou aqui pensando que se eu realmente escrevesse tudo o que penso a respeito do que sou capaz de enxergar e sentir à minha volta, principalmente tudo quanto vivenciei na pele, na alma e no bolso, creio que já estaria morta há muito. Portanto, resta-me rir de mim mesma e dos textos em que falo de liberdade, sabedora de que esta seja a maior utopia de todos os tempos e quem acreditou cem por cento nela se estropiou. 

A história humana está aí viva, mostrando com detalhes o fim de cada um, cuja glória residiu no pós-morte. Terão sido esses os legítimos heróis que admiramos ou, tão somente, exemplos emblemáticos do que não se deve fazer? 



 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

REBELDE, SIM; INSENSATA, JAMAIS!

Estou aqui pensando, enquanto espero o dia clarear, já que são quase 7h30 e, por enquanto, tudo ainda está escurinho por estas bandas do sul: se meu pai estivesse vivo e eu fosse adolescente, tal qual ocorreu nos anos sessenta, como seria minha vida?

O homem era uma águia vigiando cada passo, aonde quer que eu fosse. Minha mãe, sob sua supervisão, o supria com devoção de segunda a sexta, enquanto ele estava ausente, pois trabalhava em Barra Mansa e só chegava ao Rio nas sextas-feiras à tarde. 


DESSA ÁGUA EU NÃO BEBEREI

Ir a um restaurante sozinha, talvez a uma sessão de cinema ou teatro. Entrar, todos os dias, num apartamento vazio, quem sabe com um cachorr...