sábado, 18 de abril de 2026


 

MAIS UM...

Meus ídolos estão partindo e deixando o meu Brasil a cada ano mais solitário em se tratando de referências de qualidade. As novas gerações podem ter ouvido falar ou lido a respeito, mas não sentiram a emoção de vê-los em ação.

Particularmente, nunca fui uma fã fervorosa, mas desde muito cedo valorizei e absorvi o talento de alguns deles, tornando-os referências preciosas. Pensando cá com os meus botões, neste incrível amanhecer em que tenho o privilégio de contemplar o mundo ainda sob o escurinho, observo a manhã se espreguiçando com preguiça. Por aqui, no Sul, nesta época do ano, as manhãs não se fazem de rogadas. Elas desfrutam o quanto podem das carícias da noite anterior, deleitando-se nas espessas neblinas e sugando os fartos orvalhos da vegetação abundante.


sexta-feira, 17 de abril de 2026


 

O VIDEOTAPE DA ALMA: A Resistência do Silêncio

Acordei pensando no silêncio. Afinal de contas, quase ninguém mais sabe do que se trata. Trocamos alhos por bugalhos quando este silêncio, por ser tão grosseiramente sentido em constância, é assimilado pelo cérebro de tal forma que, de um momento para o outro, simplesmente deixa de existir. O que, decerto, não condiz com a realidade.

O barulho sublimado pouco a pouco, sem que a pessoa perceba, vai minando e se acomodando no sistema cerebral. Afeta as áreas cognitivas, muda o humor e os comportamentos, atingindo as emoções e a clareza em discernir a intensidade real de qualquer outro movimento pessoal ou coletivo.


quinta-feira, 16 de abril de 2026


 

SERÁ?

Dizem que quando ficamos lembrando ou sonhando constantemente com familiares falecidos é porque estamos nos aproximando da partida. Lembro-me de meu querido sogro que, em certo período, diariamente durante o café da manhã, relatava as lembranças do sono daquela madrugada. Enquanto isso, incansavelmente, minha sogra dizia: "Para com isso, Tião, ou logo estará se encontrando com eles". Todos riam, inclusive ele.

Coincidência ou não, meses depois, saudável e passeando em Brasília, viagem que ele programou com extremo cuidado, providenciando um conjunto de roupas novas para cada um dos dez dias que decidira permanecer na casa de seu sobrinho Eli Walter Couto e assim, ele aproveitaria para rever amigos de uma vida inteira. No quinto dia, ele simplesmente deitou-se, como de hábito, para uma rápida soneca após um churrasco e se apagou, deixando o mundo certamente mais pobre sem a sua delicada ternura.