Hoje acordei pensando naqueles que já se foram deste plano existencial e com os quais convivi em variados níveis, absorvendo e doando energias e sentimentos. Posso, neste momento, respirar fundo, desviar o olhar para focar a paisagem diante de mim e apenas agradecer.
De repente, compreendo mais do que nunca o quanto pude ganhar com suas presenças, numa conscientização do que representaram em completude em minha jornada de vida. Cada qual tatuou em mim a sua marca de passagem: alguns por uma vida inteira, outros em breves percursos, mas todos irremediavelmente ainda moram em mim.
Serei, então, um pouco de cada um deles? Acredito que sim e, como um rio largo e profundo, sigo minha rota, amparada nas margens que, fiéis, seguem comigo...
Estou rio, mas em breve também estarei mar, quando, num encontro derradeiro, partes de mim se eternizarão em fragmentos de uma vida, cada qual repleta de amor.
Assusta-me a brevidade que vislumbro, assim como o manancial de quereres que ainda sou capaz de sentir. Então, escrevo, poetizo, na esperança de te envolver também em minhas águas que, apesar de volumosas, também são mansas e mornas. Não para seres mais um no meu fluxo, mas tão somente o único capaz de a tudo oferecer sentido.
Regina Carvalho – 15.10.2026 – Pedras Grandes, SC