terça-feira, 1 de setembro de 2026


 

LÁ FORA

...entre o frio e o nevoeiro, o vento zune numa sinfonia bem orquestrada e eu, enquanto escrevo, também posso apreciar este tempo esquisito que parece não querer dar tréguas em manter o sol bem afastado para minha tristeza, já que, sem ele, tudo me parece sem alegrias, ainda mais neste mês associado à primavera, que verdadeiramente é o período do ano que mais me fascina. 

Na primavera posso sentir com mais intensidade os aromas, distinguir com precisão as cores e suas nuances e, se não bastasse, posso reconhecer, ao mais leve toque, as diferentes texturas de folhas e pétalas, absorvendo sensitivamente as suas diferentes energias que, confesso, me completam. 

Todavia, sem o bendito sol, tudo fica mais lento e minguado, mas ainda assim, como uma mendiga energética, curvo-me para sentir as tímidas e resistentes que se arriscam a brotar, numa transferência amorosa que fortifica a ambas. 

Vida, trajeto único que realmente vale a pena caminhar se a ele dedicarmos um tempinho sagrado, em que possamos dela nos tornar parceiros em meio a esta loucura sistêmica que desconsidera o belo e o exclusivo; aí então, a despeito de tudo o mais que possa nos qualificar como loucos e inúteis, tornamo-nos eternos, nem que seja num apenas instante de interação completa por ser legitimamente amorosa.

Regina Carvalho- 1.9.2026 Pedras Grandes SC

👇👇👇 Meus brindes desta manhã



segunda-feira, 31 de agosto de 2026


 

COMO SERÁ?

Ontem à tarde, enquanto acalentava amorosamente meu neto de apenas treze dias em meus braços, olhava fascinada seu rostinho sereno. Minha mente pululava em interrogações. Afinal, o que será dele daqui a dez ou quinze anos em meio a este mundo onde as ciências e as tecnologias parecem estar em uma corrida sem limites de velocidade? 

Tecnologias que hoje, desalmadas, atropelam sem piedade nós, os pobres mortais que, sem eira nem beira, nos aglomeramos em grupos tão somente para sobreviver nestas selvas sistêmicas, cada qual com regras e normas que sequer temos tempo e conhecimento para mensurar.


domingo, 30 de agosto de 2026

FLORESCENDO COMO OS IPÊS

Neste amanhecer, como em tantos outros, acordei absolutamente apaixonada por mim. Olhei-me no espelho enquanto escovava os dentes e senti um enorme orgulho da jovem, da mulher madura e da senhorinha que me tornei. Curvei-me para enxaguar a boca e lavar o rosto e senti a água fria despertar-me totalmente e, por conseguinte, sorri admirando-me encantada. 

Que vida, hein, dona Regina?! Que show de desenvoltura e criatividade, aliada à sempre presente paixão pela vida e à sem tamanho fidelidade aos meus familiares e amigos.



 

MENINO PERDIDO

Ontem caí na besteira de assistir à entrevista que mais pareceu uma inquisição com o entrevistado Flávio Bolsonaro, na Rede Globo. Desde o início, percebi uma pessoa que se sentia insegura, o que me levou a lembrar de meu filho quando eu precisava ter um papo mais sério com ele. A princípio, aquilo me causava pena, mas fazer o quê, se meu papel, além de amá-lo, era educá-lo?

Pois é, lá estava o frágil Flávio Bolsonaro tentando responder, através de desvios argumentativos, às perguntas incisivas dos dois bem escolados jornalistas. Eles só atenuaram para o presidente Lula e mais ninguém, até porque os demais, afora o Caiado, até então não lhes pareciam capazes de estar na mesma pista da corrida presidencial.