domingo, 10 de maio de 2026


 

MÃE - Estandarte da Resistência

Ontem, após o almoço, o frio era tanto que só mesmo enrolada em uma manta bem quentinha me foi possível suportá-lo e pensar que ainda estamos no outono, cruz credo.

 Aí, como não lembrar do argumento para lá de fajuto que diz que dinheiro não traz felicidade. Como não traria? Afinal, se o tivesse, teria um sistema de aquecimento interno que me permitisse circular dentro de casa até pelada, se me aprouvesse, já que sem grana, tirar a roupa para um simples e diário banho é uma sessão de tortura.


sábado, 9 de maio de 2026


 

SANTO AGOSTINHO E EU

Olho, neste amanhecer, através do vidro da porta da sala. O frio está intenso, mas ainda assim posso enxergar uma profusão de tons variados do verde da mata que se escancara despudoradamente e gosto de pensar que é só para mim. Talvez o seja. Por que não, se fiz deste hábito uma oração a cada amanhecer?

Enquanto vislumbro toda esta beleza, lembro-me das Confissões de Santo Agostinho, cuja leitura abriu em mim um leque de possibilidades que eu sentia existir, mas para as quais precisava de orientação para experimentar, mesmo receosa sobre o que iria encontrar. As contínuas inquietações seguidas de vazios, as ansiedades e os medos inexplicáveis, mas também a contumaz curiosidade levaram-me a esta leitura transformadora.


sexta-feira, 8 de maio de 2026


 

O VOO FORA DO QUADRADO

A vida cobrava o preço, e eu pagava

em silêncio, ou no grito da coragem.

Ora a alma cansada se curvava,

ora o medo guiava a minha viagem.

Mas nunca houve fuga ou lamento,

apenas o peito aberto ao que era justo.

Pois no erro, nascia o entendimento,

e a evolução valia qualquer custo.

Em conversas que o tempo veio trazer,

entre risos e asneiras do passado,

vi que a estupidez era o próprio aprender

a redimensionar o valor conquistado.

Pois o sistema impõe muros e medidas,

cantos apertados onde o ser não cabe.

E as paredes, por nós tão marteladas,

são limites que só a ignorância sabe.

Hoje entendo a lição que o tombo ensina,

seja qual for a geração ou o motivo.

A essência que a vida enfim esculpe e refina

faz do erro o solo mais fértil e vivo.

Pássaros não derrubam paredes de aço,

eles buscam o céu e a própria verdade.

Não fomos feitos para ocupar um espaço,

mas para habitar nossa própria liberdade.

Regina Carvalho- 8.5.2026 Pedras Grandes  SC

Ilustração IA