Pensei ter passado a vida inteira acreditando que invejava os carnavalescos. Mas, nesta manhã — talvez inspirada pela paisagem fantástica que enche meus olhos de ternura e amor — algo aconteceu. De onde veio, não sei. Porém, a compreensão chegou a mim e, confessando a você que me lê, tirou-me um enorme peso.
Entendi, na prática, que cada qual tem suas próprias características comportamentais e que, definitivamente, o Carnaval, como tantas outras atrações, jamais fez parte das minhas tentações.
Todavia, essa certeza nunca me impediu de admirar quem o tivesse. Até mesmo, em alguns momentos como na adolescênci senti-me incorporada pela inesquecível Gigi da Mangueira e, atualmente, por Sabrina Sato, com todo aquele profissionalismo e elegância, mesmo quando quase nua se apresenta.
Nem isso me impediu de ser uma amante fervorosa da Verde e Rosa, a querida Estação Primeira de Mangueira, que, ganhando ou perdendo, sempre levanta o público na Sambódromo da Marquês de Sapucaí, afinal, ela é mais que qualquer outra escola de samba, justamente por ter a cara, o gingado e o sotaque carioca que me representam.
Assim como a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo batuque tem a capacidade de fazer meus pés e quadris se moverem, onde quer que eu esteja.
Confesso que adoro as raízes e as saboreio com prazer, desde a cenoura, o aipim, a beterraba, até o samba do meu Rio de Janeiro e tudo o que desperte em mim o prazer de estar viva.
Regina Carvalho 16/02/2026 Pedras Grandes/SC

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