Dormi pouco…
mas acordei inteira.
Sentei-me diante da vida
Disfarçada de notebook para fazer o que sempre soube: amar escrevendo, escrever amando.
Depois de beijar muito, claro. Trem bom da conta é essa vida que ainda me abraça.
Ontem mesmo, no cair da tarde, eu e minha Anna Paula, duas meninas travessas, fomos ao BOB’S nos lambuzar de ketchup e mostarda como se o tempo tivesse desaprendido a nos chamar de mãe e filha.
Ali éramos riso. Éramos leveza. Éramos duas almas brincando de eternidade.
E sorrio… ao lembrar da menina de dezessete anos que, sem saber quase nada, soube o essencial: queria amar um só homem e, com ele, beber da taça do mel e do fel.
Nos revolucionários anos sessenta, quando o mundo gritava mudanças, eu escolhi o silêncio do altar, a simplicidade do “sim”, a ousadia de permanecer.
Escolhi família. E lá estava a Regininha, fazendo quase tudo errado, mas acertando no principal: segurava firme a mão do seu Sebastião Roberto, amor sentido no umbigo da alma, certeza que não precisava de provas.
Aprendi, dia após dia, que família não se improvisa, constrói-se.
Com renúncias que doem, perdões que libertam, diferenças que ensinam, e uma amizade que sustenta o telhado quando o vento sopra mais forte.
Nada foi fácil.
Mas tudo valeu.
Porque foi dentro desse lar imperfeito e sagrado que Deus lapidou minha empatia, treinou minha humildade, ensinou-me a ser humana antes de ser qualquer outra coisa.
Bendita a decisão imatura que me fez mulher. Bendita a coragem de ficar.
Benditos os filhos que se tornaram meus esteios, amparando minhas fragilidades com a força serena
de quem aprendeu amor em casa.
Hoje sei: quem não louva a família ainda não entendeu que é nela que o céu faz estágio na terra.
Família não é perfeição.
É permanência.
É colo.
É abrigo.
É o lugar onde duas meninas podem rir de boca suja de mostarda e, sem perceber, abraçar o mundo inteiro e ainda lamber os dedos.
Regina Carvalho- 19.2.2026 Pedras Grandes SC

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