Sabe aquele dia em que, logo ao amanhecer, quase tudo se desconecta da habitual rotina? Pois é… hoje foi e continua a ser exatamente assim. Cruz credo! Fico igual a peru bêbado em véspera de Natal.
Como adoro uma analogia, lembro-me imediatamente de um dedo cortado, de um tornozelo luxado e de inúmeras outras partes fundamentais do meu corpo que só se tornaram prioridade quando, por algum motivo, foram lesionadas, passando, de repente, a ser o centro absoluto da minha atenção. Afinal, como fazer isto ou aquilo sem a sua ativa participação?
E então, se vou mais fundo, percebo que faço o mesmo com as pessoas que convivem comigo e com tudo o mais que me cerca, como se fossem uma segunda pele. Mesmo esquecidas no baú das minhas atenções, em dado momento tornam-se o chão que me falta.
Imaginem vocês: a minha vaquinha Bibelô ainda não veio dar-me bom-dia; o meu notebook desconfigurou-se sozinho, imagino que só para me aporrinhar; descobri, meio por acaso, que o cachorro do sítio vizinho é o primeiro a comer a ração que coloco bem cedinho para os meus. E, para completar, os meus filhos não poderão vir socorrer-me de imediato, pois estão trabalhando.
Que coisa, viu! Que problemão!
Como sempre, a voz da consciência soou bem forte. Ela funciona até quando me faço de surda, o que não é o caso neste momento. Visivelmente aborrecida, fala-me assim:
— Toma vergonha, dona Regina, e atenha-se. Enquanto você resmunga por bobagens, o mundo se desfarela em fome, agressões e mortes. E, mesmo à sua volta, atrás de cada porta fechada, uma perda insubstituível acontece.
Penso, então, que sem a minha bendita consciência eu seria muito pior do que já sou. Pelo menos, ela mantém-me acordada para perceber que os caos que surgem na minha vida são folhas soltas que o vento se encarrega de levar ou de lançar ao chão, para que se tornem adubo de fortalecimento.
Regina Carvalho – 10/02/2026 – Pedras Grandes, SC

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