sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MINHAS RESPOSTAS...

Acordei lembrando de um episódio em que fui uma desastrosa coadjuvante e que, de tão real, tornou-se mais uma bandeira de liberdade em minha vida. Ao reconhecer a inadequação de minha atitude, passei o restante da minha existência burilando minhas reações, a fim de não mais me colocar em extremos, preferindo direcionar minhas emoções a um lugar mais confortável, pelo menos para mim.

Não sou de ferro e, vez por outra, ao longo da caminhada, se não joguei um litro de shampoo em alguém, como ocorreu em 1968, aos 18 anos, quando fui tão ofendida que perdi as estribeiras com uma tia de meu marido, pelo menos, dali em diante, como carioca raiz, reconhecendo que não devia arremessar nada, enviava um “vai à M” ou “PQP” que, para alguns, era mais forte que um soco.


Afinal, pensavam: “Como ousa essa mequetrefe falar-me assim?” Sim, porque vaidade ferida dói...

Há muito, nem isso. Afinal, em vez de xingar, escrevo, transformando em aprendizado a dor da pancada recebida, seja lá de quem for, em intenções e palavras que aliviam, principalmente a minha vaidade em achar que tudo precisa ser respondido à altura.

Fui descobrindo, sozinha, que a importância de um fato depende unicamente de mim. Portanto, fique com sua indiferença ou agressividade que eu sigo adiante, não me permitindo, em absoluto, ser contaminada.

Isso não é bobice, e sim proteção ao meu todo de criatura, cuja saúde do corpo depende unicamente da mente, sabedora que sou de que ela é minha comandante in chefe.

Penso, então, que me basta a bagagem pessoal de destroços que preciso ir acomodando ou descartando, para ainda permanecer duelando, a cada instante, com os destroços alheios.

Escrevo tendo-me sempre como protagonista, porque os caminhos dos meus labirintos íntimos reconheço, catando os destroços e as venturas que vou encontrando. Enquanto os dos outros, nada verdadeiramente sei, já que cada ser humano tem o seu.

Portanto, se os meus que exponho na medida em que os encontro  lhe servirem de algum modo, sirva-se e faça deles bom uso.

Simples assim.

Regina Carvalho - 20/02/2026

Pedras Grandes - SC

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